Surto de hantavírus gera preocupações em cruzeiro com três mortes; OMS investiga transmissão entre passageiros em Cabo Verde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) levantou preocupações sobre a possibilidade de transmissão de hantavírus entre passageiros de um cruzeiro que atualmente se encontra ancorado em Cabo Verde. Este surto é particularmente alarmante, uma vez que resultou na morte de três passageiros, o que acendeu um alerta sobre a saúde pública global. A diretora de prevenção e preparação para epidemias e pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, comentou que, considerando o período de incubação do hantavírus, que pode variar entre uma e seis semanas, é provável que a infecção tenha ocorrido antes da embarcação zarpar.

Além disso, a OMS sugere que a transmissão interpessoal é uma possibilidade, especialmente em situações onde pessoas convivem de forma muito próxima. Essas observações foram feitas em uma recente coletiva de imprensa, enquanto a organização acompanha de perto os casos que surgiram a bordo do navio. Em um desdobramento significativo, a Espanha concordou em receber o cruzeiro nas Ilhas Canárias para a realização de uma investigação epidemiológica mais profunda, analisando não só as condições a bordo, mas também avaliando os riscos aos quais os passageiros ainda presentes estão expostos.

De acordo com as informações mais recentes, dos casos identificados, três dos afetados já deixaram o navio, enquanto quatro continuam a bordo. A OMS confirmou até agora sete casos relacionados a esta situação, incluindo dois confirmados em laboratório e um paciente em estado crítico que apresenta sintomas graves.

A situação se agravou com o falecimento de uma turista holandesa de 69 anos, que contraiu o vírus e acabou falecendo em um hospital na África do Sul. Ela havia sido evacuada após desembarcar na ilha de Santa Helena. Sua infecção foi confirmada postumamente, o que gerou uma mobilização ainda maior por parte da OMS para rastrear os passageiros que viajaram com ela em um voo para Joanesburgo.

O cruzeiro em questão, denominado Hondius, é um navio de expedição polar que estava realizando uma rota da Argentina até Cabo Verde. Após o surgimento de sintomas graves em vários passageiros e tripulantes, algumas evacuações foram necessárias, levando a uma investigação robusta sobre a origem e a transmissão do hantavírus.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou a colaboração entre a organização e os Estados-membros na resposta a esses casos suspeitos, enfatizando o esforço para garantir a segurança dos passageiros e tripulantes. Afinal, o hantavírus, que geralmente apresenta um quadro de infecções raras mas potencialmente fatais, transmite-se principalmente por roedores, e a possibilidade de contaminação interpessoal em um contexto como o de um cruzeiro é incomum.

As autoridades de saúde continuam a trabalhar para determinar a extensão do surto e implementar medidas de contenção, enquanto a comunidade global observa atentamente o desdobramento desses eventos.

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