Mendes destacou a importância da análise de impacto orçamentário e financeiro em qualquer projeto de lei que implique custos para o Estado, um entendimento que, segundo ele, é amplamente compartilhado entre os membros do tribunal. A proposta do ministro sugere que o STF edite uma súmula vinculante sobre o tema, consolidando um entendimento uniforme que deve ser seguido por todos os magistrados do país. Essa medida tem o potencial de estabelecer condições claras para a aprovação de propostas com impacto fiscal, orientando também os pareceres jurídicos dentro das casas legislativas.
A discussão em torno da proposta ganhou força após uma reunião entre Mendes, Fachin e Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda. O encontro abordou as chamadas “pautas-bomba”, que incluem aumentos de salários e mudanças nas regras de aposentadoria, todas iniciativas com potenciais repercussões fiscais significativas.
Mendes citou, em sua proposta, uma série de decisões proferidas pelo STF desde 2019 que ressaltam a necessidade de estudos de impacto em relação a projetos que possam gerar despesas ao governo. O enunciado sugerido pelo ministro estabelece que leis ou atos normativos que imponham custos obrigatórios ou isenções fiscais são inconstitucionais se não apresentarem previsão de impacto orçamentário e as correspondentes medidas compensatórias.
Um dos julgados mencionados pelo ministro foi concluído em abril deste ano, onde o STF reafirmou que a criação de despesas obrigatórias ou a concessão de benefícios fiscais deve seguir as diretrizes constitucionais e da Lei de Responsabilidade Fiscal. No âmbito dessa decisão, o tribunal considerou que propostas que afetam as finanças públicas não devem ser aprovadas sem uma avaliação prévia de seu impacto orçamentário e compensações adequadas.
Essas discussões refletem uma crescente preocupação com a saúde fiscal do país e a necessidade de garantir que iniciativas legislativas não comprometam a sustentabilidade das contas públicas, um tema que promete ser central na agenda política brasileira nos próximos meses.





