Supremo de Israel ordena fim dos subsídios para ultraortodoxos que não serviram no Exército, ameaçando governo de Netanyahu

O Supremo Tribunal de Israel tomou uma decisão histórica na quinta-feira, 28, ao ordenar o fim dos subsídios governamentais para homens ultraortodoxos que não realizaram o serviço militar obrigatório. Essa medida pode ter consequências significativas para o governo e para milhares de homens religiosos que se recusam a cumprir com o serviço militar.

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu está enfrentando uma das maiores ameaças ao seu governo até o momento, em meio aos conflitos entre Israel e o grupo terrorista Hamas. Dentro de sua coligação, os partidos ultraortodoxos, que são aliados de longa data de Netanyahu, querem que as isenções continuem. Enquanto isso, os membros centristas do Gabinete de Guerra insistem que todos os setores da sociedade israelense devem contribuir de forma igual durante o conflito na Faixa de Gaza.

Caso os partidos ultraortodoxos decidam sair do governo, o país se verá obrigado a realizar novas eleições, e as pesquisas indicam que Netanyahu perderia muitos assentos no Parlamento se a eleição fosse realizada neste momento. A maioria dos homens judeus israelenses servem quase três anos no Exército, seguidos por anos de serviço na reserva, enquanto as mulheres judias cumprem dois anos obrigatórios.

As isenções para os ultraortodoxos, juntamente com os subsídios governamentais que recebem enquanto estudam em seminários religiosos, têm causado indignação na sociedade em geral. Essas tensões se intensificaram ao longo dos seis meses de conflito, durante os quais mais de 500 soldados israelenses perderam suas vidas.

A decisão da Corte israelense de considerar o sistema atual como discriminatório e dar ao governo um prazo para apresentar um novo plano mostra a gravidade da situação. Netanyahu pediu uma prorrogação de 30 dias para encontrar uma solução, porém o tribunal ainda não respondeu a seu pedido. Enquanto isso, a ordem provisória emitida proíbe o financiamento dos subsídios mensais para os estudantes de seminários religiosos entre 18 e 26 anos.

A reação à decisão do tribunal foi mista. O rival político de Netanyahu, Benny Gantz, elogiou a medida, destacando a importância de todos na sociedade participarem durante tempos difíceis. Já o líder do partido ultraortodoxo Shas, Aryeh Deri, considerou a decisão como uma intimidação sem precedentes aos estudantes da Torá no Estado judeu.

Essa decisão do Supremo Tribunal de Israel certamente terá repercussões significativas no país e enfatiza a importância da união e do comprometimento de todos os setores da sociedade em momentos de crise.

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