A história se entrelaça em eventos dramáticos: em setembro de 2019, durante uma operação militar, a menina foi resgatada por soldados americanos que a levaram a um hospital em uma base militar, após a perda trágica de seus pais e irmãos em um ataque. O governo afegão a identificou como cidadã afegã e decidiu que ela deveria ser entregue a sua família. No entanto, em 2020, o Tribunal de Justiça do Condado de Fluvanna concedeu a adoção à família Mast, que havia convencido o juiz de que a criança era filha de combatentes estrangeiros.
O parecer da Suprema Corte reverteu decisões de instâncias inferiores que consideraram a adoção inválida devido a alegações de fraude. Os juízes argumentaram que a legislação da Virgínia, que fixa um limite de seis meses para contestar adoções, impede que os parentes afegãos possam questionar a decisão, mesmo que a adoção tenha sido adquirida de forma enganosa. Apesar disso, uma dissidência significativa entre os juízes expressou forte desaprovação, qualificando o caso como “cânceroso” e destacando a necessidade de um processo de adoção mais ético e transparente.
A defesa da família Mast não se manifestou após a decisão, assim como os advogados da família afegã, que expressaram receio sobre a segurança de seus clientes após a adoção ser tornada pública. A situação é ainda mais complexa com a ascensão do Talibã ao poder no Afeganistão, aumentando o risco de retaliação contra os parentes da criança.
A Suprema Corte, ao se basear nas decisões e nos testemunhos do juiz que concedeu a adoção, sustenta que a criança foi entregue aos Mast com o consentimento involuntário da família afegã. A dissidência, por sua vez, questiona a legalidade da entrega dessa criança, argumentando que o tribunal da Virgínia não tinha autoridade para decidir sobre o destino da criança, um fato que levanta questões profundas sobre ética e responsabilidade legal nas adoções internacionais.
Este caso ressuscita debates sobre a complexidade das dinâmicas de adoção, especialmente em situações envolvendo países em conflito e suas crianças vulneráveis. Com as observações de diversos juízes ressaltando a questão do privilégio e da arrogância, a batalha legal transcende a questão meramente jurídica, refletindo tensões amplas entre o individual e o coletivo em uma perspectiva global.
