A descoberta dos restos da supernova foi feita em 2021, na nebulosa Pa 30, por um astrônomo amador chamado Dana Patchick, que revisou imagens antigas do telescópio WISE. A análise revelou que a SN 1181 não se encaixa nos padrões típicos de uma supernova, uma vez que no centro da nebulosa reside o que os cientistas denominaram “estrela zumbi”. Este fenômeno acontece quando uma anã branca, uma estrela densa e morta, passa por uma explosão termonuclear. Em vez de ser completamente obliterada, partes dessa estrela conseguiram sobreviver, criando uma situação de “ressurreição” estelar.
Os pesquisadores Ilaria Caiazzo e Tim Cunningham, que conduziram o estudo, descreveram o fenômeno como uma supernova do tipo Iax. O que torna essa descoberta especialmente interessante são os filamentos de gás expelidos pela estrela zumbi, que se assemelham às pétalas de uma flor de dente-de-leão. Por meio do uso do Keck Cosmic Web Imager, localizado no Havaí, os cientistas conseguiram elaborar um mapa tridimensional da nebulosa Pa 30, permitindo assim um estudo detalhado da dinâmica da explosão.
As medições demonstraram que esses filamentos se expandem a uma velocidade constante de aproximadamente 1.000 quilômetros por segundo, reafirmando a precisão na datação do evento. Esses achados têm um significado importante não só para a astronomia, mas também para o entendimento da evolução estelar e da dinâmica de eventos explosivos no cosmos. As bordas afiadas dos filamentos, que envolvem a estrela zumbi, oferecem novos insights sobre a natureza da matéria interestelar e a vida das estrelas após eventos cataclísmicos. Este estudo poderá abrir novas portas para investigações futuras, enriquecendo nosso conhecimento sobre as forças que moldam nosso universo.
