Sucessão no Rio: Alerj Debate Mandato-Tampão em Meio a Incertezas Políticas e Vácuo de Poder na Governança Estadual

Nesta terça-feira, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) dará início aos seus trabalhos para o ano de 2026. Com a tradicional solenidade de abertura, os deputados também abordarão questões relevantes, como a regulamentação do ICMS Educacional e um programa voltado à reciclagem de vasilhames de vidro. Contudo, o foco principal estará na troca de governo, marcada pela iminente saída do atual governador, Cláudio Castro (PL), que pretende concorrer a uma cadeira no Senado até abril.

A situação atual é complicada: o estado do Rio enfrenta um vazio de liderança, já que não possui um vice-governador — Thiago Pampolha se afastou para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado — nem um presidente da Alerj, após a prisão de Rodrigo Bacellar (União Brasil) e sua subsequente liberação. Nesse cenário de “paralisia estratégica”, como descreveu um deputado, as discussões giram em torno da eleição indireta que escolherá o ocupante do cargo de governador para o mandato-tampão.

Guilherme Delaroli (PL), presidente em exercício da Alerj, detém a “caneta” para conduzir a Casa, mas Bacellar, mesmo distante, indicou que deseja retornar. A renúncia de Bacellar se mostra como uma alternativa, permitindo uma nova eleição para a Mesa Diretora e potencialmente consolidando Delaroli como o presidente definitivo, algo considerado ideal para os aliadose; esse movimento garantiria a ele a condução do processo de eleição indireta.

Se a renúncia não ocorrer, o desembargador Ricardo Couto de Castro, atual presidente do Tribunal de Justiça, assume a governança interina. No entanto, Couto já demonstrou resistência em aprovar projetos que não sejam urgentes, o que geraria preocupações entre os deputados sobre a perda de influência no orçamento estadual.

As regras para a escolha do novo governador emergem como o assunto central nas discussões do dia. As propostas atuais sugerem, entre outras mudanças, a substituição do voto secreto pelo voto aberto, além de reduzir o prazo de desincompatibilização de 180 para apenas 30 dias. Essa alteração beneficiaria alguns candidatos, mas excluiriam outros já mencionados, como secretários estaduais.

Esse cenário, repleto de incertezas, afeta até mesmo questões financeiras, como a proposta de um acordo de dívida de ICMS com a Prefeitura do Rio — uma questão pendente desde 1997, agora refém do jogo político.

Assim, ao reabrirem os trabalhos legislativos, os deputados do Rio enfrentam um momento de transição que promete impactar não apenas a política local, mas também as contas públicas e as estratégias eleitorais para o futuro próximo.

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