Submarino nuclear brasileiro torna-se estratégico após tensões geopolíticas na América Latina e no Oriente Médio, alertam especialistas em segurança.

A Necessidade de Submarinos Nucleares no Brasil: Uma Análise Estratégica

A recente invasão da Venezuela pelos Estados Unidos em janeiro de 2026 levantou alarmes em relação à segurança nacional do Brasil, acentuando a importância de um robusto programa de defesa naval. Especialistas na área de defesa afirmam que o Brasil deve aumentar significativamente sua capacidade de dissuasão marítima, o que inclui a construção de submarinos nucleares. O submarino nuclear brasileiro, em desenvolvimento sob o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), conta com a parceria da francesa Naval Group e deve integrar a frota nacional nos próximos anos.

Flávio Brasil, representante da Amazul, destacou durante a LAAD Defence & Security Brazil 2026 que o país necessita de pelo menos mais dois submarinos nucleares além do Álvaro Alberto, para garantir a proteção da extensa costa brasileira, que se estende por mais de 7 mil quilômetros. Com a recente escalada de tensões geopolíticas, a importância de um arsenal nuclear não pode ser subestimada. Segundo Brasil, a presença de submarinos nucleares na frota venezuelana poderia ter dificultado a operação militar americana, o que reforça a urgência dessa capacidade para o Brasil.

Os submarinos nucleares oferecem vantagens significativas em comparação às suas contrapartes convencionais. O capitão de marinha da reserva, Robinson Farinazzo, mencionou que essas embarcações têm maior autonomia, velocidade e a capacidade de transportar armamentos mais avançados. Contudo, sua detecção é mais fácil devido ao ruído do reator e ao tamanho das embarcações, o que representa um desafio tático.

Por outro lado, a construção de submarinos convencionais tem se mostrado eficaz, com a Marinha do Brasil obtendo resultados positivos em exercícios militares. Alexandre Fuccille, da Unesp, ressalta que as vantagens dos submarinos nucleares, embora inegáveis, não são tão decisivas em um contexto onde submarinos convencionais já demonstram eficiência em operações de furtividade.

A produção de petróleo off-shore brasileira, que alcançou cerca de 3,77 milhões de barris por dia em 2025, também destaca a necessidade de proteção naval crescente. Em um mundo onde a soberania pode ser contestada por potências estrangeiras, a capacidade de dissuasão militar se torna um ativo estratégico crucial para o Brasil.

Ademais, o analista Robinson Farinazzo sugere que o Brasil deveria diversificar suas parcerias em defesa, seguindo o modelo indiano de desenvolvimento de submarinos nucleares, que tem sido mais bem-sucedido em cooperações internacionais. Essa mudança pode ajudar a reduzir a dependência tecnológica do país e ampliar a capacidade nacional de inovação em defesa.

No contexto atual, com disputas geopolíticas acirradas e lições extraídas de conflitos recentes, o Brasil deve considerar um desenvolvimento mais amplo de estratégias de defesa que não se limitem aos submarinos nucleares. Isso inclui a exploração de novas tecnologias como mísseis de longo alcance e drones, fundamentais para garantir a vigilância e a segurança das rotas marítimas brasileiras.

Assim, a inclusão de submarinos nucleares não deve ser vista como um fim em si, mas sim como parte de uma estratégia de defesa holística que visa consolidar a soberania do Brasil frente a desafios emergentes no cenário internacional.

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