Durante a análise, Fux considerou a ideia de convocar novas eleições diretas para o governo-tampão como “inconcebível”. Ele argumentou que a realização de dois pleitos em um intervalo tão curto seria não apenas impraticável, mas também onerosa, com um custo estimado em aproximadamente R$ 100 milhões para a Justiça Eleitoral. A proximidade das eleições gerais programadas para outubro também foi um fator que Fux levou em consideração, afirmando que uma nova eleição antes desse prazo não se justifica diante das circunstâncias.
O ministro destacou ainda a falta de respaldo constitucional e legal para a expectativa de que o governador interino, o desembargador Ricardo Couto, permaneça no cargo até uma eventual posse em 2027. Para Fux, essa opção de prolongar a dupla vacância do Executivo seria uma medida insustentável.
Por outro lado, o ministro Cristiano Zanin, relator de uma das ações em análise, apresentou um argumento distinto, defendendo a necessidade de uma eleição direta e permitindo que a população fluminense tenha voz na escolha de seu próximo líder. Zanin abriu a possibilidade de que houvesse apenas uma eleição em 2026, dependendo das deliberações do STF.
Enquanto isso, Alexandre de Moraes, embora ainda não tenha votado, indicou uma inclinação favorável à ideia de eleições diretas, sugerindo mesmo datas para a realização do pleito. Ele alertou para os riscos de um precedente que uma solução inadequada poderia criar, com a possibilidade de políticos utilizarem a renúncia como estratégia para escapar de julgamentos e influenciar o processo sucessório em suas conveniências.
O STF deverá continuar debatendo essa questão delicada, onde as diferentes correntes de pensamento dos ministros refletem a complexidade do quadro político atual no Rio de Janeiro e seus impactos na governança do estado. As decisões futuras da Corte serão fundamentais para determinar o caminho a ser seguido nesse período de transição.






