A AGU argumenta que o STF deve invalidar a legislação aprovada em 2012 que alterou os critérios de divisão, favorecendo os estados não produtores em detrimento dos que realmente extraem os recursos. Essa norma, que beneficía os estados não produtores, foi suspensa em 2013 e está prestes a ser reavaliada pela Corte. O Rio de Janeiro, que responde por 88% da produção de petróleo e 77% da produção de gás no país, é particularmente vulnerável a uma decisão que mude essas regras.
Em sua análise, a AGU destaca a importância da “segurança jurídica”, afirmando que uma alteração retroativa na distribuição dos royalties poderia gerar um colapso financeiro para os estados e municípios que dependem desses recursos. A legislação de 2012, que foi sancionada após a derrubada de um veto presidencial, é classificada como inconstitucional pela AGU — que sustenta que a Constituição assegura aos estados e municípios produtores o direito à compensação financeira pela exploração em seus territórios, dado o cumprimento de diversas responsabilidades sociais, econômicas e ambientais.
Além das implicações financeiras, a AGU alerta que uma mudança nos royalties pode gerar um aumento significativo nos preços de produtos como gás encanado e querosene de aviação, contribuindo para uma pressão inflacionária ainda maior. Caso a decisão do STF seja favorável a uma nova distribuição, uma revisão de todos os valores desde 2012 seria necessária, resultando em um ressarcimento bilionário.
A AGU estima que o total do ressarcimento que poderia recair sobre a União seria de R$ 57,2 bilhões, enquanto os estados produtores enfrentariam uma cobrança de aproximadamente R$ 87,8 bilhões. Em uma abordagem alternativa, a AGU sugere que, se o STF decidir pela mudança, esta deveria ser aplicada apenas aos contratos futuros, não afetando os já firmados.
Essa decisão do STF não só sinaliza o futuro das contas públicas do Rio de Janeiro e de diversas prefeituras do estado, mas também possivelmente compromete a sustentabilidade operativa dos órgãos públicos. Projeções indicam que a reforma proposta poderá resultar em uma perda anual de cerca de R$ 21 bilhões nas finanças estaduais e municipais, uma circunstância que exige atenção rigorosa por parte de todos os envolvidos na gestão pública.
