A ideia de tornar públicos os convites para eventos é percebida por alguns ministros como um sinal palpável de abertura institucional, que poderá ajudar a mitigar as críticas relacionadas à falta de transparência do STF. Entretanto, a adesão à proposta ainda é minoritária, e as discussões permanecem limitadas a conversas informais. Há uma resistência, com alguns ministros descrevendo essa discussão como “artificial”, indicando um desinteresse em aprofundar esse aspecto.
A questão é colocada em evidência pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, que tem tentado catalisar o debate sobre o código de conduta. Durante uma conversa com jornalistas em março, ele destacou as diferenças entre os membros da Corte a respeito do tema, levando em conta a necessidade de discutir a transparência nas palestras e eventos. Fachin afirmou que a proposta levanta preocupações, principalmente no que diz respeito à segurança dos ministros.
Os ministros analisaram que a divulgação das participações em eventos pode ser uma alternativa viável, uma vez que não requer uma aprovação formal imediata de um código completo de ética. Este último, elaborado pela ministra Cármen Lúcia, ainda enfrenta obstáculos após os episódios recentes que abalaram a imagem da Corte.
Com a expectativa do fim da gestão do Tribunal Superior Eleitoral, muitos esperam que uma versão inicial do código de conduta seja apresentada após o período eleitoral. Em um artigo recente, o ministro Flávio Dino defendeu a participação de ministros em discussões públicas, argumentando que ouvir diferentes pontos de vista não compromete o julgamento e que atos de improbidade costumam ocorrer longe da supervisão pública.
Contudo, uma parcela significativa dos ministros acredita que essa iniciativa de transparência poderá aliviar críticas ao Supremo sem necessariamente provocar uma nova crise em torno da imediata aprovação de um código de conduta mais rigoroso. Aliás, muitos ressaltam que ainda não há um “clima político” adequado para revisitar esses temas, especialmente após as dificuldades que a Corte enfrentou recentemente.
Por outro lado, um grupo de ministros considerou que a atenção voltada ao debate sobre palestras é desproporcional, sugerindo que os desafios mais sérios enfrentados pelo Judiciário, como alegações de corrupção e fraudes, merecem um foco maior. Para esses magistrados, existe uma “obsessão artificial” que desvia a atenção de questões consideradas muito mais relevantes.
