STF debate sucessão no Rio: Ministro Cristiano Zanin propõe eleições diretas para substituir Cláudio Castro, enquanto Luiz Fux defende eleição indireta pelos deputados estaduais.

Na análise da situação política do Rio de Janeiro, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou um voto crucial nesta quarta-feira, defendendo que o próximo governador do estado seja escolhido por meio de uma eleição direta. A decisão se origina da renúncia de Cláudio Castro, que deixou o cargo em março sob alegações de que sua saída visava evitar uma possível cassação por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O voto de Zanin, relator do processo, trouxe à tona diversas questões que ainda demandam consenso entre os ministros da Corte. Um dos pontos em aberto é o futuro do governador interino, desembargador Ricardo Couto, e a urgência da realização da nova eleição. Durante o julgamento, o ministro não descartou a alternativa de uma única eleição em 2026, que poderia decidir tanto sobre o governador-tampão quanto sobre o próximo chefe do Executivo, a ser eleito para um mandato regular que começaria em janeiro de 2027.

Zanin observou que a renúncia de Castro, além de motivada por um interesse político, pode ter sido uma manobra para inviabilizar uma eleição indireta, restrita aos deputados estaduais. Segundo ele, a vacância do cargo, que ocorre em decorrência de motivos eleitorais e faltando mais de seis meses para o término do mandato, justifica a realização de uma eleição direta.

Enquanto Zanin expunha suas razões, o ministro Alexandre de Moraes, que ainda não votou, mostrou-se favorável à escolha direta dos eleitores, sugerindo como data possível para o pleito o dia 21 de junho, uma das normas estipuladas pelo TSE para eleições suplementares. Essa proposta, no entanto, esbarra na necessidade de um entendimento coletivo do plenário para definir o formato da sucessão.

Com o julgamento empatado até agora—com os votos de Zanin e Fux—, o debate se intensifica para encontrar um caminho que equilibre a legalidade e as demandas da população fluminense. Fux, que votou em oposição ao aspecto da eleição direta, argumentou que a convocação de duas eleições em um curto período é “inconcebível” e economicamente inviável, estimando que o custo de uma nova eleição pode ultrapassar R$ 100 milhões.

Esse cenário levanta preocupações sobre precedentes, com Moraes alertando que a renúncia de Castro poderia instigar futuros políticos a adotarem estratégia semelhante para evitar cassações. O STF, portanto, não só delibera sobre uma questão técnica, mas também navega por um dilema politico-jurídico que pode ter repercussões significativas na política brasileira. A expectativa agora recai sobre o retorno do julgamento, pautado para esta quinta-feira, enquanto o estado aguarda uma resolução definitiva sobre sua liderança.

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