Na sessão, Mendes destacou que a renúncia de Castro carrega um “desvio de finalidade” que justifica a convocação de eleições diretas para o cargo de governador. Segundo ele, a escolha do novo líder do estado não pode ser restringida a um ambiente eleitoral indireto, já que isto poderia comprometer a legitimidade do processo, em um momento delicado da política fluminense. O atual governador em exercício, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, permanece no cargo até a realização da nova eleição, que deve acontecer em breve.
Alexandre de Moraes argumentou que a renúncia de Castro poderia influenciar negativamente um processo de eleição indireta, dado o contexto de possíveis acordos políticos entre deputados. Ele também lembrou a recente cassação de Castro e outros políticos, o que eleva as preocupações sobre a integridade da eleição em um momento já marcado por crises institucionais e maior exposição a pressões externas de grupos criminosos.
A Assembleía Legislativa do Rio, por sua vez, havia aprovado uma nova lei que estipula a realização de eleição indireta para o governo, com um colégio eleitoral bastante limitado aos deputados estaduais. Embora a Procuradoria-Geral da República tenha apoiado essa lei, seu caráter está agora sob análise do STF, que já recebeu questionamentos sobre sua constitucionalidade.
O julgamento se estendeu a uma série de interpretações sobre o processo eleitoral, com os ministros do STF divididos quanto aos detalhes da legislação, como o voto secreto e os prazos de desincompatibilização, após a renúncia de Castro. O debate no tribunal é aguardado com expectativa, já que suas decisões terão implicações significativas para a estabilidade e a governança do Rio de Janeiro nos próximos meses.
