A decisão, datada de 6 de julho e divulgada no último domingo (12), revela que Cunha conseguiu manter um papel de influência na distribuição de recursos federais, mesmo após deixar seu cargo. Conforme as investigações, ele teria utilizado uma estrutura informal para indicar municípios beneficiários e modificar o destino das verbas orçamentárias, uma ação que gerou preocupações sobre a regularidade do processo.
Os investigadores apontam que Cunha atuou em parceria com Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, uma servidora da Câmara que é alvo da Operação Transparência, deflagrada no final do ano passado. A PF alega que Tuca servia como intermediária nas decisões ligadas às emendas parlamentares, o que levanta questões sobre a lisura do processo de destinação de recursos públicos.
No despacho do ministro Flávio Dino, são mencionadas ao menos 21 emendas que totalizam um valor de R$ 6,15 milhões. A PF ressalta que existem indícios de que documentos relacionados a essas indicações foram manipulados, com o intuito de ocultar a verdadeira origem das decisões sobre os recursos.
Além disso, as investigações revelam que parte dos recursos estaria direcionada a municípios de Minas Gerais, onde Cunha pretende concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados nas próximas eleições. Notoriamente, Cunha sempre exerceu sua carreira política no Rio de Janeiro e não possui histórico político em Minas.
Este bloqueio acontece simultaneamente a outro inquérito, que envolve o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Recentemente, o STF determinou a indisponibilidade de aproximadamente R$ 119 milhões em bens relacionados a ele, por causa de alegações de emendas parlamentares irregulares.
Por sua vez, a defesa de Eduardo Cunha manifestou sua indignação ao afirmar que tomou conhecimento da decisão através da imprensa e que o ex-deputado ainda não havia sido formalmente intimado. Os advogados rechaçaram qualquer acusação de irregularidade, sustentando a inocência de Cunha nessa nova crise judicial.





