A defesa de Cunha já se manifestou, desqualificando a ideia de que ele tenha exercido um “mandato clandestino” e negando sua participação na elaboração das emendas investigadas. O ex-parlamentar, que não se pronunciou diretamente sobre Abramo, informou que contestará judicialmente a decisão que afeta seus bens. Por outro lado, o deputado Abramo ainda não se posicionou publicamente sobre as alegações.
A fundamentação do bloqueio de bens está atrelada a uma investigação da Polícia Federal que examina o desvio de emendas da Comissão de Saúde da Câmara. O próprio despacho do ministro also suspendeu a execução de quaisquer despesas públicas relacionadas às emendas sob investigação. O cerne das evidências se origina de conversas gravadas no celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, identificada como operadora de um suposto esquema de manipulação de emendas.
Nessas conversas, há um diálogo registrado entre Cunha e Tuca, datado de 12 de setembro de 2025, onde o ex-presidente da Câmara demonstra descontentamento com a atribuição de uma emenda a um político do PL, Nikolas Ferreira, em vez de a seu aliado Gilberto Abramo. Cunha solicita a Tuca um ofício que comprove que a emenda é de autoria de Abramo.
O ministro Dino expressou estranheza diante da situação, salientando que a comunicação entre Cunha e Tuca sugere que emendas, que supostamente pertenciam a Abramo, estavam sendo negociadas diretamente por Cunha. A presença de outros parlamentares como meros “solicitantes” apenas intensifica as acusações de fraudes. Esta investigação é um desdobramento da Operação Transparência, que já resultou em bloqueios significativos, incluindo uma montanha de até R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
À medida que essa trama se desenrola, os olhares da sociedade se voltam para a integridade do sistema legislativo e a responsabilidade dos representantes públicos nas questões de transparência e ética.





