Entre os alvos da investigação estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira, além dos deputados Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões. Todos eles retornavam de uma viagem à ilha caribenha de São Marinho, reconhecida por seu status de paraíso fiscal. Também estava a bordo o proprietário da aeronave, Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandinho OIG, sócio de uma empresa de apostas online que vem sendo investigada no âmbito de uma CPI.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu o caso há cerca de três semanas e, após uma análise detida, o procurador-geral Paulo Gonet comunicou que não haviam indícios de crimes cometidos pelos políticos. Gonet destacou que, mesmo com a lista de passageiros indicando a presença de autoridades com prerrogativa de foro, não se encontraram provas que ligassem essas figuras aos fatos sob investigação.
As imagens registradas mostraram que os passageiros estavam em conformidade com os procedimentos de fiscalização, e não havia registros de etiquetas identificando as bagagens em questão. O ministro Alexandre de Moraes acompanhou o entendimento da PGR, decidindo encaminhar os autos para a 1ª Vara Federal de Sorocaba, onde o processo prosseguirá apenas em relação aos outros investigados que não possuem a mesma prerrogativa.
O incidente ocorreu em 20 de abril de 2025, quando um voo privado chegou ao aeroporto executivo internacional São Paulo Catarina, em São Roque, SP, e cinco bagagens foram despachadas sem a devida fiscalização, passando pelo raio-X. Inicialmente, a PF centrava suas investigações em Marco Canella, um auditor fiscal que já enfrentava problemas em outro inquérito relacionado à facilitação de contrabando. A pressão aumentou quando a presença dos parlamentares no voo foi identificada, levando à remessa do caso ao STF. Com o arquivamento, a trama política se entrelaça com as questões de segurança pública e imigração, mas, por ora, salva os nomes dos envolvidos de possíveis repercussões legais.
