No contexto da investigação, a PF realizou, na última quinta-feira, uma operação de busca e apreensão no endereço de Miranda, respaldada por um mandado judicial também emitido por Mendonça. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apoiou a ação, que teve como eixo principal a suspeita de que Miranda e Vorcaro estariam envolvidos em práticas de intimidação contra jornalistas, particularmente Malu Gaspar, da coluna do GLOBO, e outros indivíduos considerados como ameaças à organização criminosa.
Documentos da PF revelam que os suspeitos utilizaram uma plataforma para acessar dados não autorizados, incluindo informações financeiras, a fim de reunir “elementos potencialmente desabonadores” sobre a jornalista. Investigadores identificaram um padrão semelhante de atuação contra outros alvos, como Milton Maluhy, CEO do Itaú, uma concorrente direta do Banco Master. A estratégia de Miranda e Vorcaro envolvia não apenas a proteção dos interesses da organização criminosa, mas também a manipulação da opinião pública e a violação de dados sigilosos.
De acordo com a PF, o comportamento de Miranda se enquadra na potencial prática do crime de invasão de dispositivo informático, conforme o artigo 154-A do Código Penal. O inquérito também salientou que Miranda teria utilizado recursos de fraudes financeiras do Banco Master para sustentar uma campanha de difamação na mídia, visando deslegitimar as denúncias feitas contra a instituição.
As apurações da PF trouxeram à tona evidências concretas de que Miranda e Vorcaro trocaram informações sobre as vidas pessoais de jornalistas, buscando maneiras de intimidá-los. Em diálogos obtidos, os dois discutiram planos para reagir a reportagens que abordavam as práticas irregulares do Banco Master, revelando um ambiente de coação e vigilância.
Além disso, Miranda tem se mostrado envolvido em outros projetos, como a intermediação de financiamento para um filme que celebrará a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro. Com informações que correm em paralelo sobre tentativas de captação de verba para o projeto, o nome de Vorcaro foi citado como um potencial financiador de um montante significativo. Enquanto isso, Thiago Miranda fez questão de afirmar que a ligação de Vorcaro com o filme seria mantida em sigilo.
Os desdobramentos dessa investigação prometem trazer à tona mais revelações sobre as conexões entre o mundo político e empresarial, além de discutir os limites da ética e dos direitos à informação em situações que envolvem conflitos de interesse e poder.





