O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, tomou ações concretas, como a anulação de um novo penduricalho introduzido por juízes e a limitação dos pagamentos líquidos na corte paranaense. Além disso, foi instaurado um procedimento administrativo para fiscalizar as folhas de pagamento dos magistrados, com despachos realizados entre quinta e sexta-feira.
Concomitantemente, os relatores das ações no STF enfatizaram que todos os tribunais do país devem estar cientes das consequências de pagamentos que saiam dos parâmetros estabelecidos pela Corte. A orientação inclui vetos a revisões e reestruturações que possam resultar em aumento indireto das remunerações dos servidores.
As inconformidades começaram a surgir especialmente após o Tribunal de Justiça do Paraná emitir uma norma que criava cargos relacionados a programas de formação jurídica, uma ação classificada pelo ministro Campbell como “enormemente inoportuna” e em desacordo com as diretrizes do STF. O corregedor ressaltou que qualquer verba não autorizada pelo STF é considerada ilegal, causando insegurança jurídica.
Para o Tribunal de Justiça de Goiás, Campbell foi ainda mais rigoroso: determinou que o pagamento líquido dos magistrados fosse limitado a R$ 46.366,19, vedando qualquer valor a mais. Essa restrição deverá ser aplicada imediatamente até que uma auditoria independente analise as folhas de pagamento referentes a março e abril deste ano.
Campbell também estabeleceu que qualquer novo gasto relacionado ao pagamento de penduricalhos só poderá ser autorizado pela Corregedoria, com um aviso explícito de que quaisquer atos administrativos no tribunal serão sujeitos a análise quanto à improbidade administrativa.
Enquanto isso, no Mato Grosso do Sul, o corregedor requisitou a apresentação de todas as folhas de pagamento dos magistrados, tanto ativos quanto inativos, para o mês de abril, como parte do acompanhamento administrativo necessário.
Essas determinações se inserem em um quadro maior, que busca a execução da deliberação do STF, a qual limitou os penduricalhos no Judiciário. O acórdão referente a essa decisão foi publicado no último dia, definindo um prazo para recursos e sinalizando a insatisfação de alguns magistrados que desejam contestar a medida e solicitar prazos para a implementação das novas regulamentações.
Enquanto associações de juízes alegam dificuldades na compreensão e na aplicação das novas regras, o clima é de incerteza e oposição na categoria. Recentemente, o ministro Flávio Dino apontou que, após a limitação dos penduricalhos, já começam a surgir novas assimetrias no Judiciário, evidenciando um cenário conturbado e desafiador.
