O Lado Invisível da Aposentadoria: Steve Mandanda Enfrenta Desafios de Saúde Mental
Steve Mandanda, ex-goleiro da seleção francesa e ícone do Olympique de Marselha, compartilha sua experiência após a aposentadoria do futebol, um momento que deveria ser celebratório, mas se transformou em uma jornada de dificuldades e autodescoberta. O campeão da Copa do Mundo de 2018 revelou, em seu novo livro “Les jours d’après” (Os dias seguintes, em tradução livre), as batalhas internas que começaram logo após o fim de sua carreira nas gramadas.
No relato, Mandanda descreve um cenário desolador de solidão e falta de propósito. A transição repentina de uma vida repleta de treinos, jogos e interações em equipe para um cotidiano vazio e sem rotina foi particularmente devastadora. “Estou desempregado, deitado no sofá sem nem saber o que estou esperando”, confessa em trechos divulgados. Neste desabafo, ele expõem a angústia de um homem que, após 25 anos de uma carreira brilhante, se vê perdido em um mar de incertezas.
A ausência da adrenalina dos jogos e a convivência calorosa com colegas de equipe acentuaram o sentimento de perda. A falta desse ambiente, que lhe proporcionava não apenas uma estrutura, mas também um senso de identidade e pertença, levou Mandanda a questionar sua relevância. “Afinal, qual é a minha área de atuação? O sofá? Uma casa?”, reflete, expressando a dor de se desvincular de uma vida inteira dedicada ao esporte.
Com o passar do tempo, entretanto, Mandanda afirma que conseguiu encontrar um novo equilíbrio. Ele relata que, após um ano, começou a processar suas emoções e a se afastar do estado de tristeza que o consumia. “Sinceramente, acho que processei tudo. Segui em frente, sim”, dizem suas palavras, marcando uma virada em sua narrativa. Esses sentimentos de desorientação não são exclusivos a Mandanda; ele menciona conversas com o ex-jogador Patrice Evra, que compartilhou experiências semelhantes, ilustrando que essa luta é comum entre atletas que se aposentam.
Mandanda também reconhece os impactos físicos dessa fase da vida, como o ganho de peso e a sensação de estar cada vez mais isolado. “Passei de uma vida diária meticulosamente planejada para… nada”, diz, ressaltando o desafio de gerenciar não apenas a saúde mental, mas também o bem-estar físico.
A aposentadoria de Mandanda, que ocorreu no Rennes, em setembro de 2025, aos 40 anos, levanta questões importantes sobre a saúde mental de atletas ao encerrarem suas carreiras. Seu relato sincero serve como um alerta sobre a necessidade de apoio emocional e psicológico, não apenas durante a carreira, mas também após ela. A história do ex-goleiro é um testemunho da complexidade da transição de um ícone do esporte para a vida cotidiana.
