De acordo com dados da Receita Federal, as stablecoins já representam aproximadamente R$ 1,13 trilhão, correspondente a 71,7% do volume total de criptoativos registrados entre agosto de 2019 e dezembro de 2025. O valor negociado mensalmente, que antes era considerado marginal, cresceu exponencialmente a partir de 2020, superando casas de dezenas de bilhões de reais, com um recorde de R$ 39,7 bilhões em novembro de 2025.
O crescente interesse em stablecoins não se limita a investidores individuais; players institucionais também estão se mobilizando. Diferentes vozes no setor, como Felipe Paiva, diretor de relacionamento com Clientes e PF da B3, enfatizam que, embora sistemas como o Pix ofereçam liquidações instantâneas, as stablecoins permitem uma gama mais ampla de inovações. Ele ressalta que a B3 está se adaptando a essa nova realidade, planejando o lançamento da B3RL, uma stablecoin atrelada ao real brasileiro, nos próximos meses.
A oportunidade de tokenização também está em ascensão. Marcos Viriato, CEO da Parfin, aponta que, embora o mercado tenha começado com a tokenização de ativos de crédito, a ausência de stablecoins em real tem estabilizado o avanço dos ativos tokenizados. Ele destaca que, com a introdução dessas moedas digitais, as trocas instantâneas e a eficiência no processo de liquidação deverão se intensificar, o que é fundamental para o crescimento da tokenização.
No cenário internacional, ativos tokenizados, como fundos de mercado monetário e ações em plataformas digitais, estão se tornando cada vez mais populares, sinalizando uma tendência que, segundo os executivos, o Brasil está bem posicionado para acompanhar. A recente formação de um Grupo de Trabalho pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre criptoativos mostra um forte compromisso regulatório que pode fomentar a inovação nesse setor.
À luz disso, a tecnologia também será um pilar central nesse novo ecossistema. Com a regulamentação das Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) pelo Banco Central, que entrará em vigor em breve, o setor deverá passar por mudanças significativas. As empresas que operam neste espaço precisarão se adaptar a um ambiente regulatório mais rigoroso, o que pode resultar na criação de um mercado mais robusto e seguro.
Como Felipe Paiva observou, o apelo da infraestrutura tradicional, aliado à inovação tecnológica que as stablecoins e a tokenização apresentam, tem potencial de atrair novos participantes e transformar a maneira como os produtos financeiros são oferecidos. O futuro parece promissor para a tokenização e os ativos digitais no Brasil, com expectativas altas de crescimento e inovação nos próximos anos.





