As entidades que se uniram em torno do Pacto pela Democracia, com a assinatura de mais de 20 organizações, argumentam que a derrubada do veto pode ser interpretada como uma minimização dos ataques à democracia. O documento destaca que a medida não apenas enfraquece o processo de responsabilização dos culpados pelas tentativas de desestabilização do regime democrático, mas também pode abrir precedentes preocupantes para futuras ações golpistas.
Entidades respeitáveis como o Instituto Vladimir Herzog, o Instituto Marielle Franco e a Transparência Eleitoral Brasil alertaram que a decisão do parlamento reflete uma abdicação do seu dever como guardiões das normas constitucionais. Segundo a nota divulgada, essa ação não contribui para a pacificação social e, ao contrário, legitima uma narrativa que poderia reescrever a história em favor da impunidade.
A análise feita pelas organizações não é apenas uma questão de reivindicar a justiça: trata-se de preservar a memória coletiva sobre um dos episódios mais sombrios da história do Brasil. O documento destaca que o ataque aos Três Poderes em janeiro não foi um simples ato de vandalismo, mas parte de uma estratégia organizada para deslegitimar as eleições e promover uma ruptura institucional.
Além disso, as organizações ressaltam que a desvalorização desses eventos através da alteração das penas representa um risco real de que a violência política se torne uma norma na sociedade brasileira. As consequências dessa decisão não se limitam a um debate penal, mas se estendem à própria base da democracia, que é sustentada não apenas por eleições, mas pela capacidade de reconhecer e enfrentar seus desafios históricos.
A preocupação das entidades é clara: a normalização da violência golpista, através da flexibilização das penas, pode criar um ambiente fértil para a repetição de tais ataques no futuro. A integridade da democracia, segundo o documento, depende do reconhecimento dos traumas passados e da responsabilização dos agressores.
