Síria Pode Ser Chave nas Negociações Entre Israel e Hezbollah, Afirmam Especialistas

A recente proposta do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a Síria poderia “lidar com o Hezbollah” no Líbano trouxe à tona discussões sobre o papel histórico e atual de Damasco na região. A sugestão surge em meio a um cenário complexo de negociações envolvendo Israel e o Hezbollah, que se resiste a um acordo que não respeite a soberania do Líbano.

Recentemente, os EUA, Israel e Líbano assinaram um acordo-quadro mediado por Washington na tentativa de solucionar o conflito entre israelenses e libaneses. Apesar disso, Israel reafirmou sua intenção de manter tropas no sul do Líbano até que o Hezbollah seja desarmado, enquanto o governo libanês vê a nova aliança como uma oportunidade para recuperar sua soberania territorial.

Em relação ao Hezbollah, a resistência do grupo contra Israel é notável, especialmente após a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano em 2000, o que inicialmente lhe proporcionou apoio popular. Contudo, a recente atuação política do Hezbollah e seu envolvimento em guerras regionais têm gerado críticas internas, com muitos libaneses clamando por uma neutralidade que preserve o país de conflitos externos.

A influência da Síria no Líbano não é novidade; Damasco exerceu controle sobre a política libanesa por mais de três décadas, a partir de 1976, durante a guerra civil libanesa. Agora, sob a liderança do presidente sírio Ahmed Al Sharaa, que busca a reconstrução do país após anos de conflitos, a ideia de uma nova intervenção militar síria é vista com ceticismo.

Especialistas, como a professora Muna Omram, argumentam que a Síria não possui a capacidade militar e diplomática necessária para retornar ao papel de protagonista na política libanesa. Ela observa que a Síria agora enfrenta desafios internos significativos, como a contenção de grupos jihadistas e a gestão de tensões entre minorias religiosas.

Além disso, a possibilidade de uma nova intervenção síria poderia exacerbar divisões sectárias já existentes no Líbano, que é composto por uma complexa estrutura política baseada em equilíbrio confessionário. Nesse contexto, a prioridade atual de Damasco parece ser a estabilização do Líbano, evitando novas escaladas de violência que poderiam desestabilizar ainda mais a região.

Em suma, a proposta de Trump de envolver a Síria nas negociações com o Hezbollah é improvável de se concretizar, dado o estado atual da Síria e os desafios existentes no Líbano. Damasco busca, acima de tudo, a estabilidade interna e o restabelecimento de sua posição no cenário internacional, sem querer abrir novas frentes de conflito.

Sair da versão mobile