Síria Busca Pacto de Segurança com Israel Enquanto Tel Aviv Avança na Ocupação das Colinas de Golã, Avaliam Especialistas sobre Conflito Regional.

No contexto da complexa e volátil situação política do Oriente Médio, a Síria expressou seu desejo de estabelecer um pacto de segurança com Israel, como forma de buscar uma paz ampliada na região. Ahmed al-Sharaa, presidente sírio, enfatizou que tal acordo não comprometeria os direitos da Síria sobre as Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde 1967. Damasco já denunciou ações militares israelenses na cidade de As-Suwayda, destacando a presença da população drusa, e Israel justifica seus ataques como uma proteção aos drusos perante possíveis agressões sírias. Entretanto, analistas veem essas ofensivas como uma tentativa de Israel de expandir sua influência no sul da Síria.

O doutor em geografia humana Ramez Philippe Maalouf, da Universidade de São Paulo, argumenta que Israel tem aproveitado a fragilidade da situação síria, exacerbada pela queda do regime de Bashar al-Assad, para ocupar mais territórios. Ele observa que a disposição de Al-Sharaa em dialogar abriu espaço para a intensificação da política expansionista israelense, sugerindo que a liderança atual em Tel Aviv não está considerando realisticamente os novos equilibrios geopolíticos que emergem na região.

A professora Karina Calandrin, da Ibmec, acrescenta que a reivindicação das Colinas de Golã pela Síria é parte de um esforço maior para conquistar reconhecimento tanto interno quanto externo como um governo soberano. A mudança política em Damasco, que é mais amigável em relação aos Estados Unidos em comparação a Assad, oferece uma oportunidade para Israel, mas também apresenta limites, pois a Síria não aceitará ocupações de suas terras.

Calandrin sugere que retirar tropas israelenses das áreas ocupadas não só poderia pavimentar o caminho para um acordo de paz, mas também assegurar mais segurança para Israel do que o atual status quo. Além disso, a Organização das Nações Unidas já emitiu resoluções que exigem a desocupação das terras sírias, reiteradas pela Corte Internacional de Justiça em 2025. Contudo, a pressão mais efetiva sobre Israel ainda recai sobre os Estados Unidos, que historicamente têm sido um aliado fundamental do país.

Esta intrincada situação revela um cenário em que a busca pela paz se entrelaça com a lógica expansionista, complicando o panorama e deixando em aberto questões sobre a futura estabilidade da região e a viabilidade do diálogo entre as potências envolvidas.

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