O doutor em geografia humana Ramez Philippe Maalouf, da Universidade de São Paulo, argumenta que Israel tem aproveitado a fragilidade da situação síria, exacerbada pela queda do regime de Bashar al-Assad, para ocupar mais territórios. Ele observa que a disposição de Al-Sharaa em dialogar abriu espaço para a intensificação da política expansionista israelense, sugerindo que a liderança atual em Tel Aviv não está considerando realisticamente os novos equilibrios geopolíticos que emergem na região.
A professora Karina Calandrin, da Ibmec, acrescenta que a reivindicação das Colinas de Golã pela Síria é parte de um esforço maior para conquistar reconhecimento tanto interno quanto externo como um governo soberano. A mudança política em Damasco, que é mais amigável em relação aos Estados Unidos em comparação a Assad, oferece uma oportunidade para Israel, mas também apresenta limites, pois a Síria não aceitará ocupações de suas terras.
Calandrin sugere que retirar tropas israelenses das áreas ocupadas não só poderia pavimentar o caminho para um acordo de paz, mas também assegurar mais segurança para Israel do que o atual status quo. Além disso, a Organização das Nações Unidas já emitiu resoluções que exigem a desocupação das terras sírias, reiteradas pela Corte Internacional de Justiça em 2025. Contudo, a pressão mais efetiva sobre Israel ainda recai sobre os Estados Unidos, que historicamente têm sido um aliado fundamental do país.
Esta intrincada situação revela um cenário em que a busca pela paz se entrelaça com a lógica expansionista, complicando o panorama e deixando em aberto questões sobre a futura estabilidade da região e a viabilidade do diálogo entre as potências envolvidas.





