Os protestos se concentraram em locais simbólicos, como a Avenida Paulista, em São Paulo, onde a Central Única dos Trabalhadores (CUT) organizou um ato em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP). Outras manifestações ocorreram em Rio de Janeiro, São Luís, Vitória e Cuiabá. Esses atos vêm se somar a uma série de mobilizações que já ocorreram em mais de 15 cidades ao longo do fim de semana, demandando uma redução da carga horária semanal de trabalho.
Entre os manifestantes, vozes como a de Antônio Lira de Santos, trabalhador da área de manutenção, destacam a urgência da mudança, que representa, segundo ele, uma reivindicação antiga da classe trabalhadora. José Pedro Mendes, um pedreiro que enfrenta limitações devido a um acidente de trabalho, enfatizou a dificuldade das mães que, em geral, acumulam jornadas de trabalho e tarefas domésticas, tornando seu dia a dia ainda mais extenuante.
A tramitação da PEC está em um estágio decisivo. O relatório foi lido na Câmara dos Deputados na mesma segunda-feira, com a votação na comissão especial agendada para quarta-feira (27) e a discussão no plenário marcada para quinta (28). Hugo Motta, presidente da Câmara, se manifestou favorável à votação, afirmando que “não é mais possível segurar” a proposta. Ele reafirmou que a ideia é garantir uma redução da jornada sem corte de salários e com dois dias de descanso.
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2023 indicam que dos 44 milhões de trabalhadores formais no Brasil, cerca de 31,8 milhões estão sujeitos a uma carga semanal de 44 horas. Um estudo revelou que 73% da população apoia o fim da escala 6 x 1. Contudo, parlamentares da oposição e setores do centrão insistem em uma transição mais prolongada, alegando possíveis impactos econômicos negativos. Propostas de implementação gradual ao longo de dez anos foram rejeitadas, e atualmente as discussões giram em torno de um período de transição que poderia variar de dois a cinco anos.
Empresários, liderados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), também têm atuado nos bastidores, buscando interceder para que a votação seja adiada ou alterada, preparando emendas com a intenção de reduzir o impacto da medida nas suas operações. Essa disputa entre trabalhadores e empresários, no entanto, claramente reflete a crescente pressão por mudanças nos direitos trabalhistas no Brasil.





