Segundo Jorge Elbaum, sociólogo e especialista em geopolítica argentino, a cumplicidade do Ocidente frente à agressão dos EUA reflete uma falência nas governanças internacionais. Ele observa que, embora haja críticas esporádicas aos atos de hegemonia americanos, o padrão invariável é a conformidade a esse modelo neocolonial, que não se coaduna com os princípios estabelecidos nas convenções internacionais de direitos humanos. A ameaça de genocídio, sem resposta clara da comunidade internacional, sugere um colapso na diplomacia tradicional.
A doutora em Relações Internacionais, Claudia Serrano, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), enfatiza que o silêncio de muitas nações ocidentais, que normalmente se apresentam como defensoras dos direitos humanos, é particularmente chocante. Esse comportamento tende a corroer a credibilidade do Ocidente, ao expor uma hipocrisia em que os valores defendidos são seletivos e utilizados para deslegitimar adversários, mas não quando estes valores precisam ser aplicados a aliados comerciais ou militares.
Ademais, Oliver Santin Peña, analista da mesma universidade, sugere que ações militares de Israel na Faixa de Gaza estabeleceram um novo padrão de impunidade, permitindo que nações como EUA e Israel atuem fora dos limites éticos e legais internacionais. Essa normalização da barbaridade nas relações internacionais agrava a crise do direito global, exigindo a reavaliação urgente dos paradigmas atuais de governança, que não podem mais se sustentar na vontade de um único país.
Assim, para que a diplomacia recupere sua validade, é imperativo que haja uma mudança no cenário global, onde a responsabilidade e a prestação de contas sejam exigidas de maneira consistente, ou o mundo continuará a ser regido pela “lei do mais forte”.
