Serra iria retribuir repasses milionários da Odebrecht
Delatores da Odebrecht acusaram o ex-chanceler do governo Temer e senador José Serra (PSDB-SP) de receber pagamentos milionários da empreiteira, em campanhas de 2002 a 2012, período em que foi prefeito de São Paulo, governador do Estado e candidato derrotado à Presidência da República. Os pagamentos saíram do setor de propinas da companhia, conforme ex-dirigentes como Benedicto Júnior, o BJ, e Pedro Novis, que presidiu a holding do grupo Odebrecht e era vizinho do tucano. Parte das doações era caixa dois, pago em espécie e não há registro de valores preciso. Os delatores da Odebrecht afirmaram que colaboraram para campanhas de Serra durante anos.
“Ele sinalizou sempre o reconhecimento e a admiração pelas pessoas da organização e mesmo a disposição de retribuir quando fosse possível. Nós sempre alimentamos a expectativa de que ele pudesse ajudar mais do que ajudou. Acredito que não nos
Na campanha de 2002, Serra recebeu recursos de caixa dois, estimados em cerca de 15 milhões de reais. “Os pagamentos normalmente eram parcelados, via caixa dois”, afirmou Novis. “Pode ter havido alguma doação oficial de pouca expressão, a maior parte foi caixa dois.” Em 2004, recebeu 2 milhões na campanha para a prefeitura de São Paulo, quando se elegeu derrotando a então petista Marta Suplicy, hoje senadora pelo PMDB. Para a campanha de 2006, quando venceu o governo de SP, Serra contou com contribuições irregulares de pelo menos 4,5 milhões de reais – para custeio e pagamento de dívidas no ano seguinte. Houve inclusive transferências no exterior, para um empresário amigo de Serra. Em 2008, Serra não era candidato, mas pediu colaboração para candidatos a prefeito do PSDB no valor de 3 milhões de reais em espécie. Segundo Novis, todos os pedidos de dinheiro partiram de Serra.
Houve um pedido de ajuda de 30 milhões de reais, mas ao fim Serra recebeu 23,3 milhões de reais, conforme a acusação. A Odebrecht tinha créditos a receber da Dersa, e Serra, então governador, disputaria a Presidência novamente em 2010. Ficou combinado com ele e o então líder do PSDB Sérgio Guerra (morto em 2014) que os tucanos bicariam 5% dos créditos, chegando à quantia milionária. Serra ainda receberia 6 milhões de euros e 9 milhões de reais da empreiteira, seja em caixa dois ou no exterior. Diversos intermediários articulavam os pagamentos a Serra, em contas na Suíça ou remessas em espécie. José Amaro Ramos, Márcio Fortes, Ronaldo Cezar Coelho e Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, eram os principais.
Em uma ocasião, por exemplo Serra determinou por decreto uma revisão em contratos ao assumir o governo de São Paulo, em 2007, ocasião em que
msn
13/04/2017
