A atual administração americana, liderada por Donald Trump, parece determinada a moldar as relações internacionais de acordo com interesses autônomos, desconsiderando normas estabelecidas que regem a soberania dos Estados. Esse processo se insere em um contexto mais amplo de desestabilização das estruturas jurídicas que garantem a coexistência pacífica entre as nações. A visão dos EUA de um mundo multipolar, onde outras potências como China e Rússia competem por influência, não desestimula apenas uma nova era de colonialismo, mas também provoca a deterioração das relações diplomáticas e comerciais.
Os estrategistas da Casa Branca adotam uma abordagem que remete ao colonialismo do século XIX, buscando expandir sua esfera de influência sob a justificativa de interesses nacionais. Contudo, essa perspectiva ignora a complexidade e as nuances das realidades locais e globais, gerando consequências imprevisíveis. As afirmações de que a Venezuela representa uma ameaça, sustentadas pela alegação de vínculos com narcotráfico, são frequentemente contestadas por juristas internacionais que são unânimes em apontar a falta de fundamentos jurídicos para ações de força.
Além disso, a promoção da “Doutrina Monroe” em 2026 revela um desejo dos EUA de considerar toda a América como seu “quintal”, o que levanta preocupações sobre a legalidade das intervenções e o respeito aos direitos humanos. Assim, muitos analistas questionam o real objetivo dessas ações: é uma tentativa de restabelecer a ordem colonial ou uma resposta a uma perda de influência que é cada vez mais evidente na dinâmica de poder global?
Portanto, a situação atual nos convoca a refletir sobre o futuro das relações internacionais. Como os países latino-americanos, inclusive a Venezuela, podem afirmar sua soberania diante de um gigante imperial? A necessidade de um diálogo baseado no respeito mútuo e na autodeterminação dos povos nunca foi tão evidente, e a busca por soluções pacíficas e construtivas deverá ser uma prioridade nas diplomacias contemporâneas.
