Weverton Rocha, que ocupa seu primeiro mandato no Senado desde 2019 e atualmente se destaca como vice-líder do governo, se consolidou como uma figura de confiança do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O senador tem uma trajetória política que começou no movimento estudantil, onde foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) entre 2000 e 2001. Ao longo dos anos, ele passou por diversos cargos na administração pública, inclusive no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, onde atuou no Ministério do Trabalho.
A investigação da PF apura a possibilidade de que Rocha e o advogado Willer Tomaz tenham utilizado uma complexa estrutura de empresas e postos de combustíveis para ocultar e movimentar recursos oriundos de fraudes relacionadas a contribuições e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As suspeitas são graves e sugerem que essa rede de lavagem de dinheiro opera desde 2023.
Nesta fase da operação, a PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em diferentes localidades, incluindo o Distrito Federal e o Maranhão, sob ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A investigação não se limita ao senador; ela estende-se a familiares de Rocha e de Tomaz, o que suscita ainda mais complexidade a um cenário já delicado.
Segundo as investigações, os recursos ocultos poderiam estar empregados na aquisição de fazendas, terrenos e maquinários agrícolas, além de movimentações financeiras que, de acordo com a PF, são associadas a atividades ilícitas. Relatos indicam que uma das filhas de Weverton seria responsável pelo controle financeiro dessas empresas, o que levanta questões sobre a transparência e a legalidade das operações.
Na linha de defesa, Willer Tomaz declarou que não é alvo da operação e que sua vinculação com as fraudes diz respeito exclusivamente ao fato de ser proprietário de uma aeronave utilizada por Weverton em viagens pessoais. O senador, por sua vez, manifestou surpresa com a ação da PF e se colocou à disposição para esclarecer qualquer dúvida, assim que obter detalhes da decisão judicial.
Ademais, os desdobramentos desta operação não são novos para Weverton. Em dezembro do ano passado, ele já havia sido alvo de buscas em outra fase da operação, quando surgiram indícios de que teria recebido valores desviados do INSS, sendo associado a Antônio Camilo Antunes, um nome relevante no esquema em questão.
O que se percebe, portanto, é que a Operação Sem Desconto vem desvelando um entrave preocupante na política brasileira, onde figuras públicas são investigadas por práticas lesivas ao erário e à credibilidade institucional. A sociedade aguarda ansiosamente os desdobramentos desse caso e a repercussão que ele poderá ter no cenário político e nas eleições futuras.





