Em suas redes sociais, Wagner descreveu a decisão como um resultado de “comum acordo” e apresentou o encontro com Lula como uma “conversa entre amigos”. Nos dias que antecederam essa movimentação, o senador recebeu conselhos de aliados, especialmente de figuras associadas ao PT na Bahia, recomendando que ele se afastasse da liderança para se dedicar à sua defesa e, ao mesmo tempo, evitar comprometer ainda mais a imagem do presidente.
A pressão pela saída de Wagner se intensificou após uma operação da Polícia Federal realizada na última quinta-feira, que resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão ligados ao senador. O escândalo ganhou contornos ainda mais graves com a divulgação de uma foto que mostrava uma quantia em dinheiro vivo, equivalente a US$ 49 mil, encontrada em Brasília. No total, os agentes da PF recolheram o que soma aproximadamente R$ 482 mil, levando governistas a apontarem a situação como insustentável para a continuidade de Wagner na liderança.
Em conversas reservadas, um membro do governo que atua no Palácio do Planalto declarou que a operação da PF tornou a permanência de Wagner na posição de liderança “praticamente inviável”. Embora a relação entre o governo e Wagner seja antiga, a necessidade de um afastamento para proteger a imagem da gestão foi considerada urgente.
Além disso, alguns aliados consideraram desastrosas as declarações do senador em momentos recentes, onde ele negou ter associações com o Banco Master. Na véspera da operação, ele havia afirmado que permaneceria na liderança até uma decisão contrária de Lula. As investigações da Polícia Federal levantaram questões sobre a atuação de Wagner em favor do Banco Master, incluindo a defesa de propostas legislativas que favoreciam a instituição financeira.
Além das suspeitas de favorecimento político, a PF investiga um possível vínculo entre Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco, que também foi alvo da operação. Os indícios vão desde a apresentação de emendas no Senado até a recepção de bens e serviços que levantam sérias preocupações sobre a integridade do senador. As revelações têm potencial para afetar não apenas a carreira política de Wagner, mas também a imagem do governo Lula.
