Senador Davi Alcolumbre se mostra favorável ao fim da escala 6×1 sem transição, surpreendendo sindicalistas e impulsionando debate sobre proposta no Senado.

Durante uma recente reunião com centrais sindicais, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, expressou apoio ao fim da escala de trabalho 6×1, surpreendendo os representantes de trabalhadores ao afastar a ideia de um período de transição, como contido na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) já aprovada pela Câmara. A PEC, que visa garantir a mudança na jornada de trabalho, foi aprovada em maio e aguarda agora a tramitação no Senado.

Alcolumbre, que havia gerado expectativas de que poderia dificultar a tramitação do tema, demonstrou uma postura favorável ao tratar da proposta. A posição do presidente do Senado foi recebida com alívio e otimismo por líderes sindicais, como Sergio Nobre, presidente da CUT. Ele argumentou que a implementação imediata da nova jornada de trabalho seria mais racional e menos problemático para as empresas, em vez de ser realizada de forma gradual.

Na reunião, foi discutido que, após a promulgação do texto, o fim da escala 6×1 e a garantia de duas folgas semanais poderiam ser efetivados de forma imediata, uma alteração significativa se comparada ao estipulado na PEC, que previa um período de 60 dias. Alcolumbre sinalizou que desejava discutir essa modificação com a assessoria técnica do Senado, visando evitar que o texto precisasse voltar para uma nova análise na Câmara.

Esse gesto de Alcolumbre também pode ser interpretado como uma tentativa de melhorar sua relação com o Palácio do Planalto, especialmente após tensões recentes em consequência da rejeição de uma indicação ao Supremo Tribunal Federal. Além disso, o presidente da Câmara, Hugo Motta, também deseja deixar sua marca ao aprovar essa medida, o que aumenta a pressão sobre o Senado.

Em coletiva após a reunião, o senador Paulo Paim destacou o compromisso de Alcolumbre com a acelerada tramitação da PEC, enfatizando que o ideal seria uma mudança sem transição, em um movimento que remete à Constituinte. O tema é visto como uma das principais apostas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para consolidar sua candidatura à reeleição, dado seu apelo popular.

Após um mês da aprovação na Câmara, o debate sobre a proposta começou a se intensificar no Senado, com a participação de ministros que reiteraram a urgência da medida, dada a vasta aprovação popular. Argumentos foram levantados para garantir que as mudanças na jornada não resultem em um aumento salarial, buscando um consenso que beneficie tanto trabalhadores quanto empresas.

Alcolumbre, ao longo do debate, reiterou as pressões políticas que envolvem a aprovação da PEC, ressaltando a importância de deliberar a proposta em um ambiente livre de constrangimentos, onde parlamentares não se sintam compelidos a decidir conforme a agenda eleitoral. O clima do encontro acendeu esperanças em relação à pauta, com sindicalistas deixando a reunião otimistas quanto à possibilidade de uma rápida aprovação no Senado.

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