Senador Ciro Nogueira é investigado por propinas de banqueiro e busca de apreensão pela Polícia Federal em operação contra corrupção no Congresso.

A Polícia Federal (PF) está investigando o senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) por supostas irregularidades ligadas a propinas recebidas de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo as autoridade, Nogueira teria utilizado seu mandato parlamentar para favorecer os interesses do banqueiro dentro do Congresso Nacional. A operação que desencadeou essas investigações, denominada Compliance Zero, resultou em busca e apreensão na residência do senador na última quinta-feira, dia 7 de setembro.

De acordo com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou a ação da PF, o senador estaria recebendo uma “mesada” de R$ 300 mil de Vorcaro, montante que, conforme os investigadores, pode ter chegado a R$ 500 mil com o tempo. A apuração ainda indica que o banqueiro teria oferecido ao senador benefícios como a disponibilização gratuita de um imóvel de luxo, além de cobrir despesas relacionadas a viagens internacionais, incluindo estadias em hotéis renomados, refeições em restaurantes de prestígio e outros gastos pessoais, através de um cartão.

Um aspecto ainda mais alarmante da investigação é a transação enganosa em que Ciro Nogueira adquiriria uma participação estimada em R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão, com a colaboração de Vorcaro, segundo os investigadores. Esse empreendimento envolvia a venda de 30% da empresa Green, que teria relações com a Trinity, para a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., empresa gerida pelo irmão de Nogueira, também alvo da operação.

A PF destaca que as informações e mensagens trocadas entre Nogueira e Vorcaro sugerem um vínculo que ultrapassaria uma mera amizade, configurando um “arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo”. Em mensagens encontradas no celular do banqueiro, ele faz referência ao senador como um “grande amigo de vida” e expressa satisfação com uma proposta legislativa que beneficiaria diretamente o Banco Master. A proposta em questão tinha como tema a autonomia financeira do Banco Central e elevava a proteção do Fundo Garantidor de Créditos por CPF de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, sendo descrita por Vorcaro como uma “bomba atômica no mercado financeiro”.

A defesa do senador se manifestou, negando qualquer prática ilícita e reafirmando o comprometimento de Ciro Nogueira em colaborar com a Justiça. Eles argumentaram que as medidas investigativas adotadas, que se baseiam principalmente em trocas de mensagens, deveriam ser reavaliadas para garantir sua legalidade e adequação. O caso promete ainda desdobramentos polêmicos à medida que as investigações avançam e a pressão para esclarecimentos aumenta.

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