Dra. Eudócia enfatizou a importância da vacina em relação ao câncer de colo de útero, que está intimamente ligado à infecção pelo HPV, responsável por cerca de 99% dos casos dessa neoplasia. “Sabemos que esse câncer tem dia e hora contados, porque temos a vacina contra o HPV. A gente quer avançar e massificar essas vacinas. […] A minha luta não para por aqui”, afirmou a senadora, destacando seu compromisso contínuo com a causa.
Atualmente, o SUS disponibiliza a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos de HPV, para crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos. Para adultos, o acesso é limitado a grupos específicos, como imunossuprimidos e portadores de HIV. No entanto, na rede privada, é oferecida uma vacina nonavalente, que protege contra nove tipos do vírus e é indicada para uma faixa etária mais ampla, de 9 a 45 anos.
Os dados são alarmantes: o câncer de colo de útero ocupa o triste primeiro lugar no ranking de mortalidade entre mulheres de até 35 anos no Brasil e é o segundo entre aquelas com até 60 anos. O Instituto Nacional do Câncer projeta um aumento de 14% nos novos casos, com mais de 19 mil diagnósticos previstos entre 2026 e 2028. A vacinação é uma medida preventiva eficaz, mas a adesão popular ainda é um grande desafio. A cobertura vacinal permanece abaixo da meta de 90%, estabelecida pelo Ministério da Saúde, e a desinformação, agravada pela propagação de fake news, tem contribuído para a hesitação em aceitar a vacina.
O vice-presidente da subcomissão, senador Dr. Hiran, fez um apelo à população, pedindo que pais e mães vacinem seus filhos: “Isso é saúde, isso significa salvar vidas”. Ele destacou que a vacinação não deve ser vista como um incentivo a comportamentos precoces, mas como uma estratégia crucial para reduzir significativamente a incidência da doença.
Jurema Telles, membro da Câmara Técnica de Oncologia Clínica, corroborou a eficácia da vacinação como intervenção vital, enquanto Marcella Salvadori, representante do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos, alertou sobre a necessidade urgente de ampliar o acesso à vacina para diminuir as desigualdades.
O diretor-geral substituto do Inca, João Paulo de Biaso Viola, ressaltou que o combate ao câncer exige uma abordagem multiprofissional, envolvendo prevenção, diagnóstico precoce e acesso a tratamentos. O trabalho da subcomissão, que durou 180 dias e promoveu importantes audiências, resultou em dois projetos de lei que aguardam sanção presidencial para garantir o acesso a tratamentos oncológicos avançados.
Com o encerramento dessa etapa, Dra. Eudócia reafirmou a importância do legado deixado pela subcomissão e a necessidade de continuar a luta contra essa doença devastadora.






