SENADO FEDERAL – “Uso Compassivo de Medicamentos em Debates: Agilidade para Pacientes com Doenças Raras é Fundamental para Evitar Deterioração da Saúde e Acelerar Acesso ao Tratamento”

Na última segunda-feira, 15 de outubro, as Comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Ciência e Tecnologia (CCT) promoveram uma audiência pública dedicada à discussão do acesso a tratamentos médicos experimentais para pacientes diagnosticados com doenças raras. Essas condições, frequentemente sem alternativas terapêuticas reconhecidas, colocam em evidência a importância do denominado “uso compassivo”, um mecanismo que permite que pacientes em estado crítico possam utilizar medicamentos ou procedimentos ainda em fase de pesquisa.

Regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso compassivo é fundamental para pacientes que não têm acesso a tratamentos disponíveis no Brasil, especialmente quando consideramos que cerca de 95% das doenças raras ainda carecem de soluções terapêuticas. Durante o encontro, profissionais da saúde, pacientes e representantes de órgãos reguladores se uniram para discutir maneiras de eliminar barreiras burocráticas que dificultam o acesso a esses terapias inovadoras. Os especialistas afirmaram que uma maior agilidade nesse processo pode ser a diferença entre a vida e a morte, evitando que os pacientes passem por longas batalhas judiciais para obter tratamentos.

A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), uma das proponentes da audiência, salientou que a necessidade de acesso rápido aos tratamentos é imperativa, considerando que muitas vezes a espera resulta em um cenário de deterioração da saúde dos pacientes. Gabrilli enfatizou que 75% das doenças raras impactam crianças, o que intensifica a urgência. A senadora destacou os avanços da ciência, mas fez um apelo para que a legislação e as políticas públicas evoluam na mesma velocidade.

A professora adjunta da Universidade Federal de Juiz de Fora, Aline Spagnol Fedoce-Silva, que possui uma criança diagnosticada com síndrome de Krabbe, mencionou a frustração gerada por lacunas regulatórias que impedem a implementação de terapias já reconhecidas em outros países. Aline criticou a demora na regulamentação da Lei 14.154 de 2021, que visa aprimorar o Programa Nacional de Triagem Neonatal, e que ainda não foi totalmente implementada pelo Ministério da Saúde.

Ricardo de Lima Agostinho, pai de uma criança com a síndrome de Olmsted, destacou a dificuldade em obter testes genéticos e o acesso a medicamentos por meio do uso compassivo. Sua família teve sucesso em obter uma medicação relevante para a qualidade de vida do menino, mas enfrentaram barreiras legais que prolongaram a luta pelo tratamento.

Especialistas que participaram da audiência argumentaram sobre a necessidade de adotar um enfoque mais ético e ágil no uso de tratamentos experimentais. A professora Mayana Katz, geneticista da Universidade de São Paulo, defendeu que os pacientes em situações extremas deveriam ter a autonomia para optar por tratamentos inovadores, mesmo que ainda não aprovados, quando não houver outras alternativas disponíveis.

Contudo, Alcindo Cerci Neto, do Conselho Federal de Medicina, lembrou que é fundamental respeitar os limites do método científico e manter um equilíbrio entre a emoção e a razão nas decisões médicas. Além disso, Meiruze Sousa Freitas, coordenadora da Instância Nacional de Ética em Pesquisa, enfatizou a importância de garantir princípios bioéticos na condução de pesquisas.

O coordenador de Pesquisa Clínica da Anvisa, Claudiosvam Martins Alves de Sousa, concluiu ressaltando que existem mecanismos em todo o mundo para garantir acesso a tratamentos não registrados. Ele destacou a necessidade de acompanhar a evolução das regulamentações à medida que novas tecnologias emergem.

O debate evidenciou a urgência em fornecer soluções eficazes e mais ágeis para os pacientes com doenças raras e destacou a importância de uma abordagem colaborativa entre diferentes setores da sociedade para enfrentar esses desafios.

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