Kajuru acusou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) de conduzir o licenciamento de forma “fatiada” e segmentada, desconsiderando a totalidade das obras necessárias ao longo de todo o rio para garantir sua navegabilidade. Ele destacou que o que está sendo licenciado não é a totalidade da Hidrovia Araguaia-Tocantins, mas apenas um projeto de dragagem e deslocamento da via navegável em uma região específica do sudeste paraense, totalizando 212 quilômetros repartidos em três trechos. Para o senador, essa abordagem fragmentada é uma velha prática que visa concretizar megaprojetos por partes, tornando o conjunto da obra irreversível mais tarde.
O senador argumentou que essa fragmentação serve para evitar os estudos compreensivos dos impactos ambientais. Ele citou uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que determina que os estudos de impacto ambiental devem abranger toda a área geográfica diretamente ou indiretamente afetada pelos impactos, considerando sempre a bacia hidrográfica onde o projeto se localiza.
Segundo Kajuru, a falta de um estudo global do projeto impede a compreensão real da obra ou projeto em sua totalidade. Essa abordagem, que ele considera ineficiente e imprecisa, desconfigura a realidade do que se pretende aprovar e pode resultar numa licença que ele julga nula e imoral, pois esconde da sociedade os reais impactos das obras, principalmente para a população goiana.
Além das críticas, Kajuru afirmou ter encaminhado uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) para que seja instaurado um inquérito civil com o objetivo de apurar possíveis ilegalidades no processo de licenciamento ambiental. O senador busca, assim, garantir que eventuais irregularidades sejam investigadas e que o andamento do projeto seja reavaliado com uma maior transparência e responsabilidade ambiental.
