SENADO FEDERAL – Senador Eduardo Girão critica fim da CPMI do INSS e denuncia impunidade em esquema de corrupção: “Crime do colarinho branco compensa no Brasil”.

O senador Eduardo Girão, representante do Novo-CE, fez um pronunciamento contundente no Plenário nesta terça-feira (31), onde expressou sua insatisfação em relação à atuação de deputados federais e senadores que levaram ao encerramento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Essa comissão tinha como objetivo investigar um esquema fraudulento que resultava em descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas. Girão não hesitou em afirmar que o esforço para a manutenção da comissão foi mínimo, citando uma votação desfavorável que culminou em sua dissolução.

Em suas declarações, Girão mencionou que a CPMI foi encerrada com uma diferença de votos que o deixou preocupado. “Por 19 votos a 12, nós vimos o golpe de misericórdia para acabar com a CPMI, sem que um relatório fosse apresentado”, criticou ele, referindo-se à celebração de alguns membros após o fim da investigação. Para o senador, essa comemoração é um reflexo do descompromisso de certos parlamentares com a população brasileira. Ele destacou a relevância do relatório elaborado, que continha quase 5 mil páginas e recomendava o indiciamento de 216 indivíduos, incluindo empresários, servidores públicos e políticos.

Girão também fez uma análise crítica sobre a postura do Supremo Tribunal Federal (STF), que desfez uma decisão anterior do ministro André Mendonça que permitiria a prorrogação dos trabalhos da CPMI. Na visão do senador, a interrupção das investigações sem um relatório final prejudica a responsabilização dos envolvidos nas irregularidades. Ele demonstrou preocupação com a mensagem que isso passa à sociedade a respeito da corrupção no Brasil, a qual perpetua a sensação de impunidade.

“Mais uma vez, fica evidente que esquemas poderosos de corrupção raramente resultam em consequências efetivas”, enfatizou, alertando sobre o ciclo vicioso de impunidade que se instaurou no país. Girão propôs a criação de uma nova comissão para dar continuidade às investigações, reforçando seu compromisso com a luta contra a corrupção e a busca por justiça. Para ele, a situação atual só evidencia que no Brasil, ações delituosas muitas vezes não são punidas, o que, segundo ele, mina a confiança pública nas instituições e nos processos legais.

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