O senador apresentou dados que mostram que alianças entre diferentes facções já se estendem por, pelo menos, 17 estados brasileiros. Essas mudanças na dinâmica do crime organizado indicam que grupos que tradicionalmente eram rivais passaram a colaborar entre si, priorizando estratégias que visam maximizar lucros financeiros e ampliar o controle territorial. Ele apontou que mais de 60% dos municípios do Pará estão sob a influência de facções criminosas, o que representa um desafio direto à presença do Estado nas comunidades.
Em sua fala, Marinho fez uma analogia ao descrever o funcionamento do crime organizado como uma “engrenagem empresarial”. Ele mencionou que esses grupos possuem uma estrutura bem definida, com divisão de tarefas, rotas logísticas consolidadas, mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro e um controle territorial em constantes expansão.
Diante desse cenário, o senador apelou à necessidade urgente de intervenção contínua por parte do governo na região amazônica. Ele ressaltou a importância de investimentos em inteligência, controle das rotas utilizadas para o tráfico e na luta contra a lavagem de dinheiro. Marinho também chamou a atenção para os efeitos diretos que o crime organizado exerce sobre a população local. Ele relatou casos em que comerciantes têm sido alvo de exigências financeiras de facções para poderem operar seus negócios.
“É preciso uma presença constante do Estado e não ações isoladas. A complexidade do problema requer um investimento robusto em inteligência, na fiscalização das rotas e na implementação de políticas voltadas para desarticular as economias ilegais que sustentam o crime”, concluiu Marinho, reafirmando a gravidade da situação no Pará e na Amazônia.
