SENADO FEDERAL – Senado Suspende Resolução que Garantia Aborto Legal a Crianças e Adolescentes Vítimas de Estupro em Decisão Controversial

Na última terça-feira, 2 de outubro, o Plenário do Senado tomou uma decisão significativa ao suspender uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A norma em questão garantiu a crianças e adolescentes o direito ao aborto legal em casos de gravidez resultante de estupro. O Projeto de Decreto Legislativo (PDL 3/2025), apresentado pela deputada Chris Tonietto (PL-RJ) e relatado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), já havia sido aprovado anteriormente na Comissão de Direitos Humanos (CDH) e agora segue para promulgação.

Durante a discussão, a senadora Damares Alves ressaltou que a medida do Conanda ultrapassava suas atribuições ao abordar questões que requerem deliberação legislativa. Segundo ela, o papel do Conanda é criar diretrizes e monitorar políticas públicas voltadas à infância e adolescência, e não estabelecer novos direitos ou redefinir aspectos legais regulamentados pelo Congresso Nacional. A senadora fez um apelo para que o Conanda convoque uma nova reunião para corrigir os erros identificados na resolução.

A senadora Dra. Eudócia (PL-AL) também se manifestou sobre o tema, afirmando que a proposta é uma forma de evitar a promoção do aborto. Ela elogiou o trabalho da senadora Damares em defesa da vida e das crianças, destacando a importância de proteger os direitos dos bebês e adolescentes.

Com a suspensão, a Resolução 258, de 2024, do Conanda, perde sua validade. Essa norma tratava de situações de gravidade, como gravidez oriunda de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia fetal. Ela estabelecia procedimentos para atendimento e direitos de vítimas de violência sexual, incluindo a capacitação de profissionais para melhor identificar tais situações e proporcionar um atendimento acolhedor e sem preconceitos. Além disso, a resolução defendia a priorização do interesse da vítima, garantindo seu direito ao sigilo e à assistência jurídica gratuita.

A expectativa agora recai sobre o futuro do Conanda e a possibilidade de novas deliberações que respeitem os limites de suas competências, sem desconsiderar a necessidade de proteção dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes no Brasil.

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