Proposta pelo senador Izalci Lucas, a sessão ressaltou a importância do financiamento e da criação de políticas públicas eficazes para a continuidade dessa tradição nacional. Izalci enfatizou que as quadrilhas juninas não são fruto do acaso, mas sim de meses de ensaios meticulosos. Ele argumentou que sem um respaldo financeiro adequado, é impossível manter viva essa manifestação cultural. “Não se faz cultura sem recurso. É fundamental que estejamos no orçamento de todas as esferas governamentais para que essa tradição não desapareça”, afirmou.
O presidente da Federação de Quadrilhas Juninas do Distrito Federal e Entorno, Robson Vilela, levantou preocupações sobre a demora no apoio governamental, que frequentemente chega em momentos inadequados, forçando os grupos a buscarem alternativas como rifas e eventos beneficentes. “É necessário que o reconhecimento das quadrilhas comece muito antes da festa em si”, destacou, referindo-se à necessidade de suporte que inicie logo no começo do ano.
Tiago Viana, vice-presidente da Liga Independente de Quadrilhas Juninas do DF e Entorno, apontou que as dificuldades enfrentadas pelos quadrilheiros não são exclusivas da região, mas um fenômeno observado em todo o Brasil. Ele enfatizou a complexidade do movimento junino, que envolve uma série de profissionais, desde dançarinos até músicos e figurinistas. “A cultura junina vive nas comunidades e não pode ser ignorada por aqueles que estão fora delas”, advertiu.
Patrese Ricardo, representante do Projeto Giro Cultural, também reforçou a necessidade de um amparo mais estruturado e consistente para o setor, elogiando as emendas do senador Izalci, mas ressaltando que elas ainda cobrem apenas uma fração das despesas reais dos grupos, que se esforçam para manter a tradição viva. “Os recursos que recebemos são insuficientes para tantas demandas”, lamentou.
Históricamente, as quadrilhas foram introduzidas no Brasil pela corte portuguesa no início do século 19, sendo inicialmente dançadas nas salas da elite parisiense. Com o passar do tempo, evoluíram para um dos ícones da cultura popular do país. Essa importância foi reconhecida oficialmente em 2024, quando a Lei nº 14.900 garantiu às quadrilhas juninas o status de manifestação cultural nacional. A busca por valorização, apoio e continuidade da tradição persiste, refletindo a paixão e o esforço de milhares de quadrilheiros em manter acesa a chama dessa rica herança cultural.





