SENADO FEDERAL – Senado Acelera Acordos Multilaterais para Ampliar Comércio do Brasil em Resposta a Tarifaços dos EUA e Crise de Organismos Internacionais

No primeiro semestre de 2026, o Senado brasileiro evidenciou um esforço significativo em fortalecer os laços comerciais do país por meio da aprovação de 16 acordos multilaterais, superando a marca dos dois últimos anos. Essa movimentação surge em um contexto de crescente pressão comercial imposta pelos Estados Unidos a diversas nações, incluindo o Brasil.

Entre os tratados destacados, três têm relevância direta com o Mercosul: o histórico acordo com a União Europeia, que estava em negociação por ininterruptas 26 anos; o pacto com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA); e o acordo com Singapura. Estima-se que, só em 2025, cerca de 31,2% do comércio exterior brasileiro será influenciado por esses tratados.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Nelsinho Trad, ressaltou que a rapidez na análise do acordo entre Mercosul e União Europeia, que já entrou em vigor em maio, reflete a necessidade de se adaptar a um cenário internacional marcado pelo unilateralismo. Trad argumenta que a resposta a essas tendências não deve ser o isolamento, mas sim um fortalecimento do diálogo com outras nações.

A professora Lia Valls Pereira, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, complementa essa visão ao destacar o enfraquecimento das organizações multilaterais de comércio na última década. A alternativa encontrada por muitos países tem sido a formação de acordos bilaterais e regionais para fomentar suas economias.

O acordo entre Mercosul e União Europeia, por exemplo, prevê a eliminação total de tarifas sobre 80% dos bens industrializados exportados da América do Sul, enquanto a Europa fará o mesmo sobre 95% dos produtos do Mercosul em um prazo de 12 anos. Um dado emblemático é que o café brasileiro, já um dos principais produtos nas vendas para a Europa, terá sua tarifa eliminada, promovendo um incentivo para o aumento das exportações.

Além disso, os acordos com a EFTA e Singapura são fundamentais para diversificar a pauta de exportações brasileiras, permitindo acesso mais livre a produtos agrícolas e industriais. O tratado com Singapura, em particular, é estratégico, pois essa nação foi um dos seis maiores compradores dos produtos brasileiros em 2025.

Com a continuidade da crise nas relações internacionais e a necessidade de diversificação das parcerias comerciais, esses tratados oferecem ao Brasil uma nova perspectiva para o comércio exterior e a atração de investimentos, fundamentais para a recuperação e crescimento econômico no cenário global.

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