Com base em informações fornecidas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), Magno destacou que, em 2024, houve 472 mil afastamentos de trabalhadores devido a transtornos mentais, um crescimento impressionante de 68% em comparação ao ano anterior, resultando em um afastamento médio de 196 dias. Essa situação levanta sérias preocupações sobre as condições laborais e o bem-estar emocional dos profissionais de comunicação.
O conselheiro também abordou as especificidades do jornalismo, indicando que jornadas de trabalho extensas e a predominância de notícias negativas contribuem significativamente para o estresse mental dos jornalistas. Uma pesquisa realizada recentemente nos Estados Unidos revelou dados inquietantes: 84% dos jornalistas entrevistados relataram problemas de saúde mental, assim como 88% dos ex-jornalistas. Além disso, 64% dos participantes ressaltaram que questões de saúde mental impactam severamente o ambiente de trabalho, o que sugere um quadro preocupante.
Adicionalmente, Carlos Magno citou a pesquisa “Jornalismo no Brasil em 2025”, que revelou uma cultura tóxica em algumas redações brasileiras, exacerbada pela falta de empatia, comunicação violenta, e desrespeito às folgas. Ele sublinhou que, embora a amostra da pesquisa seja restrita, ela oferece um panorama relevante sobre a realidade das redações no país, especialmente após os desdobramentos da pandemia de COVID-19.
Com relação a possíveis soluções, Magno sugeriu que medidas individuais, como a prática de exercícios físicos e uma alimentação equilibrada, sejam aliadas a esforços coletivos para combater jornadas de trabalho excessivas. Ele propôs ainda que o CCS solicite a realização de uma pesquisa abrangente sobre a saúde mental dos profissionais de comunicação, a fim de coletar dados mais precisos.
A conselheira Samira Castro acrescentou que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) está prestes a lançar um estudo sobre a saúde mental na profissão, fato que poderá pautar as ações sindicais e direcionar a atenção da sociedade sobre as dificuldades enfrentadas por jornalistas.
Enquanto isso, a vice-presidente Angela Cignachi conduziu a reunião, que também abordou a regulamentação de plataformas de streaming. A apresentação do relatório sobre o PL 2.331/2022 foi adiada devido à complexidade das modificações feitas pela Câmara dos Deputados, destacando a necessidade de uma análise cuidadosa pelo Senado antes de uma nova votação. O esforço do CCS em seguir avançando nas discussões sobre comunicação e as condições de trabalho no setor se torna ainda mais evidente em um cenário onde a saúde mental tem se tornado uma questão central.





