O relatório destaca a necessidade urgente de se corrigir as lacunas existentes e de fortalecer a política voltada para a prevenção dos feminicídios. Gabrilli enfatizou que a falta de execução orçamentária para um programa de tamanha importância é uma demonstração de ineficiência e destacou a gravidade da situação, afirmando que não se pode permitir que mulheres continuem sendo mortas devido à inação do governo.
O documento, que teve colaboração do Observatório da Mulher no Senado, revela que entre 2020 e 2024, o Brasil registrou de 1.355 a 1.459 casos de feminicídio anualmente, uma média alarmante de quatro mulheres assassinadas por dia. As taxas são mais elevadas nas regiões Centro-Oeste e Norte, enquanto o Sudeste, em especial São Paulo e Minas Gerais, apresenta os maiores números absolutos.
Um dos problemas mais preocupantes identificados no relatório é o baixo acesso das vítimas à rede especializada de apoio. Dados indicam que uma significativa parcela da população feminina desconhece serviços como a Casa da Mulher Brasileira, com 38% tendo ouvido falar sobre a iniciativa, enquanto 59% das agredidas optam por não denunciar seus agressores. As falhas estruturais são evidentes, com a falta de integração entre saúde, segurança, assistência social e o Judiciário, além de uma carência de profissionais capacitados para oferecer um atendimento humanizado e com a perspectiva de gênero.
Damares Alves, presidente da Comissão, ressaltou a complexidade de executar um plano dessa magnitude, mas afirmou que os dados apresentados provocam a reflexão necessária para a construção de soluções eficazes. O relatório, ora aprovado, aponta uma série de desafios que devem ser enfrentados, como a baixa adesão dos estados ao pacto, o contingenciamento de verbas e a rotatividade das equipes nos ministérios encarregados de coordenar as ações.
Entre as recomendações apresentadas estão a necessidade de promover uma articulação mais efetiva entre os diferentes níveis de governo, aumentar o financiamento e garantir a execução do orçamento, assim como criar sistemas integrados de coleta de dados sobre violência. Gabrilli concluiu afirmando que o relatório deve servir como base para ações imediatas na busca de soluções eficazes para mitigar a crescente onda de feminicídios no Brasil.









