SENADO FEDERAL – Reconhecimento Histórico: Ex-jogadoras brasileiras de futebol feminino recebem prêmio de R$ 500 mil como reparação por barreiras enfrentadas

Em 1991, Pretinha, então com apenas 16 anos, desembarcou na China, representando o Brasil na primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino. A jovem atleta fazia parte de uma delegação que não apenas desafiava as normas estabelecidas, mas também pavimentava o caminho para futuras gerações de jogadoras. Décadas depois, o Estado brasileiro finalmente reconhece essas pioneiras, oferecendo um prêmio de R$ 500 mil que foi aprovado pelo Senado para homenagear as atletas das seleções de 1988 e 1991.

Essa premiação é fruto da Lei 15.421 de 2026, oriunda do PL 1.315/2026, parte de um conjunto de iniciativas que visa valorizar as mulheres no esporte. A surpresa e emoção de Pretinha com a notícia da homenagem foram evidentes, e ela expressou sua gratidão ao governo e a todos envolvidos na idealização do projeto. Contudo, a ex-atleta prefere não relembrar as dificuldades enfrentadas na época, embora sua trajetória pessoal narre um contexto mais amplo. Antes de ser convocada para a Seleção, Pretinha jogava em um time local e, aos 14 anos, já compartilhava os campos de terra com meninos.

O amor pelo futebol, herança da família, foi essencial para sua superação nas adversidades. Desde que nasceu, em 1975, o futebol feminino no Brasil era marcado por obstáculos, incluindo uma proibição que mantinha mulheres afastadas dos campos até 1979. Essa proibição deixou cicatrizes profundas, e a historiadora Bruna Barenco destaca que a revogação da norma não resultou em imediato apoio ao futebol feminino.

As dificuldades persistiram. O preconceito encontrou respaldo na escassa cobertura da mídia, que tendia a rotular as jogadoras em categorias limitadas, como “musas” ou “masculinizadas”. Além disso, a falta de investimentos em categorias de base e campeonatos reforçou a desigualdade histórica no esporte.

A recente premiação, embora não reescreva a história, representa um passo significativo em direção ao reconhecimento e valorização dessas mulheres que foram essenciais na formação do cenário esportivo. A senadora Leila Barros, relatora da proposta, qualificou essa ação como uma reparação histórica, reconhecendo a luta enfrentada pelas atletas.

Além de olhar para o passado, o Senado também aprovou medidas visando o futuro do futebol feminino. A legislação abre novos caminhos para organizar a Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil, reforçando o compromisso do país em proporcionar um ambiente mais justo e inclusivo para as futuras gerações de atletas. A criação da Universidade Federal do Esporte, uma instituição voltada à formação e pesquisa na área esportiva, também se insere nesse panorama, destacando a importância da educação para a promoção de equidade de gênero e étnico-racial no esporte.

Enquanto Pretinha e outras pioneiras recebem o merecido reconhecimento, o Brasil busca criar condições para que os desafios enfrentados por elas não sejam perpetuados, mas sim superados pelas próximas gerações de atletas.

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