SENADO FEDERAL – “Projeto de lei que regulamenta filtro de relevância para recursos no STJ avança para sanção presidencial e promete reduzir sobrecarga da Corte

Um novo marco legal se aproxima de sua promulgação, com a aprovação de um projeto de lei que visa regulamentar o filtro de relevância para a aceitação de recursos especiais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O projeto, de número 3.085/2026 e de autoria do senador Davi Alcolumbre, percorreu com sucesso as etapas legislativas, sendo aprovado pela Câmara dos Deputados sem modificações.

Esse projeto de lei se embasa na Emenda Constitucional 125 de 2022, que introduziu um novo critério para o manejo de recursos especiais ao STJ. Este tipo de recurso é frequentemente utilizado para contestar decisões de tribunais de segunda instância, especialmente no que se refere à interpretação e aplicação da legislação federal – enquanto questões constitucionais são de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal (STF).

O cerne da proposta reside na exigência de que um recurso especial apresente um nível de relevância que vá além dos interesses pessoais das partes em litígio. A avaliação dessa relevância será de responsabilidade do STJ, que deverá contar com a aprovação de dois terços de seus integrantes para declará-la ausente. Além disso, a Constituição já reconhece como relevantes os recursos vinculados a ações penais, improbidade administrativa, casos com valor superior a 500 salários mínimos, situações que podem levar à inelegibilidade e decisões que contrariam a jurisprudência predominante no STJ.

O projeto também promove alterações no Código de Processo Civil (CPC), estabelecendo que, uma vez reconhecida a relevância de um recurso, o relator terá a prerrogativa de suspender diversos processos que tratam da mesma questão, por um período de até seis meses, com uma única possibilidade de prorrogação sob circunstâncias específicas. As decisões resultantes desses julgamentos deverão ser seguidas por outras instâncias do Judiciário em casos semelhantes.

O senador Davi Alcolumbre justifica que essa regulamentação é crucial para aliviar a carga de trabalho do STJ, permitindo que a Corte direcione seus esforços para questões de maior importância e impacto social. O relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Sergio Moro, complementou a análise, enfatizando o papel do tribunal na uniformização da interpretação da legislação federal. Para ele, a proposta não inviabiliza o acesso à Justiça, garantindo que tribunais de primeira e segunda instâncias cumpram suas funções e preservando o papel do STJ em estabelecer precedentes para orientar decisões futuras.

O projeto, que foi aprovado em decisão terminativa na CCJ do Senado, avançou para a Câmara dos Deputados sem sofrer alterações, mostrando um consenso amplo entre os legisladores sobre suas diretrizes e objetivos.

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