De acordo com Paim, a crise está levando muitos pequenos produtores a abandonarem a atividade, principalmente devido à concorrência desleal provocada pelas regras que facilitam a importação de leite da Argentina, Uruguai e Paraguai por meio do Mercosul. Ele ressaltou que a Argentina subsidia 40% da produção local, o que torna os produtos mais baratos e dificulta a competição para os produtores familiares brasileiros. Segundo dados do IBGE, a produção de leite no país caiu 5,5% em 2022 e, somente nos primeiros três meses de 2023, foram importados 6 milhões de litros de leite dos países do Mercosul.
Durante a reunião, os representantes do governo apresentaram algumas iniciativas que já estão sendo tomadas para auxiliar a cadeia produtiva de leite. Eles mencionaram a atuação de grupos de trabalho interministeriais que têm dialogado com as entidades representativas do setor para adotar novas políticas de auxílio. Além disso, eles ressaltaram a recente medida que aumentou as tarifas de importação de produtos lácteos, como iogurtes, manteigas e queijos, e informaram que R$ 100 milhões em verbas orçamentárias estão sendo destinadas à compra da pequena produção local.
No entanto, os representantes da agricultura familiar afirmam que as medidas adotadas ainda estão longe de solucionar a crise, que possui um caráter estrutural. Eles defendem que a situação só será superada quando os produtores de leite forem justamente remunerados, levando em consideração os custos de produção, independentemente das oscilações de mercado. Além disso, eles reivindicam que a legislação que trata dos contratos antecipados de compra e venda seja levada em conta pelo setor industrial, que adquire a produção, e solicitam a redução de impostos que incidem sobre a produção de leite.
Representantes da Federação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura Familiar no Rio Grande do Sul (Fetraf-RS) ressaltaram a importância de garantir um preço justo aos agricultores para evitar a falência da cadeia produtiva. Eles também alertaram para a entrada de leite de outros países no Brasil, como a Nova Zelândia, utilizando acordos com empresas argentinas e se beneficiando das regras do Mercosul, que facilitam a entrada desses produtos no país.
A reunião contou ainda com a participação de representantes de outras entidades, como a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (contraf-Brasil/CUT).
É importante destacar que essa crise no setor de produtores familiares de leite na Região Sul requer ações efetivas do governo para garantir a sustentabilidade dessa atividade econômica e evitar o abandono de milhares de pequenos produtores. A adoção de políticas que valorizem o trabalho desses agricultores e que combatam a concorrência desleal é essencial para a preservação desse importante setor da economia brasileira.
