O depoimento de Eloy foi resultado de um requerimento do presidente da comissão, senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que investigava os desdobramentos da operação VAR, solicitada pela Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) e conduzida pela Polícia Civil do estado. A operação identificou possíveis atividades criminosas nos clubes Nova Cidade, Belford Roxo, São José, Brasileiro e Duquecaxiense.
Durante a reunião presidida pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), foi ressaltada a partida da terceira divisão do campeonato estadual sub-20, na qual o Nova Cidade chegou a estar vencendo por 3 a 1 no intervalo, mas acabou perdendo por 5 a 3, em uma reviravolta surpreendente que coincidiu com um aumento significativo de apostas na Ásia. Esses padrões chamaram a atenção dos órgãos de conformidade.
Jorge Luiz Pacheco Eloy explicou que, embora a Ferj tenha suspendido os dois clubes envolvidos por suspeita de manipulação de resultados, o Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Estado do Rio de Janeiro (TJD-RJ) absolveu as equipes de qualquer irregularidade. Eloy também destacou que o TJD-RJ, apesar do nome, é uma instância administrativa privada e não faz parte do Judiciário.
Em relação às acusações de associação entre a derrota e as apostas suspeitas, Eloy declarou não ter conhecimento de evidências concretas nesse sentido e afirmou que nem ele nem pessoas ligadas ao clube fizeram apostas. Ele atribuiu a derrota a questões físicas dos jogadores, citando o exemplo da virada do Palmeiras sobre o Botafogo em um jogo do Campeonato Brasileiro de 2023.
Além disso, Eloy revelou que o clube tinha um contrato com uma empresa para gerenciar a equipe sub-20, mas ressaltou que o acordo não envolvia dinheiro, apenas a projeção de jogadores. Ele enfatizou que o Nova Cidade é um clube de origem humilde, sem recursos, e que era a primeira vez em 11 anos que aceitava a participação de uma empresa na gestão da equipe.
No final da reunião, os membros da comissão aprovaram requerimentos para convocar Reginaldo Gomes, presidente da Sociedade Esportiva Belford Roxo, que não compareceu à CPI, e Thiago Chambó Andrade, denunciado na Operação Penalidade Máxima do Ministério Público de Goiás. O senador Romário (PL-RJ) foi o autor do requerimento.
A preocupação com o alcance global das apostas esportivas e seu impacto negativo no futebol brasileiro também foi destacada durante a sessão, levantando discussões sobre a necessidade de maior controle e regulamentação nesse setor para preservar a integridade do esporte nacional.
