SENADO FEDERAL – “Presidente do BC nega envolvimento em caso do Banco Master e defende atuação técnica em depoimento à CPI do Crime Organizado”

Na última quarta-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, prestou esclarecimentos na CPI do Crime Organizado sobre sua suposta atuação no caso do Banco Master. Em seu depoimento, Galípolo refutou qualquer envolvimento pessoal com o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo federal, afirmando categoricamente que não havia justificativa técnica para a suspensão das operações do banco antes do final de 2025.

Durante a audiência, que ocorreu no contexto de investigações sobre a instituição financeira, o presidente do BC revelou que se encontrou no Palácio do Planalto em dezembro de 2024 com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e alguns ministros. Galípolo destacou que sua função foi meramente técnica, remetendo o caso a um diretor do Banco Central para a análise apropriada. “Recebi a orientação do presidente Lula para agir tecnicamente, sem proteger ou perseguir ninguém”, declarou.

A discussão se intensificou quando o senador Alessandro Vieira levantou questões sobre supostos diálogos entre Galípolo e ministros do STF, especialmente em relação a contratos milionários envolvendo o escritório de advocacia do ministro Alexandre de Moraes. O presidente do BC enfatizou que embora tenha se encontrado com ministros do Supremo em várias ocasiões, os assuntos discutidos estavam distantes do caso Banco Master e que as reuniões foram sempre presenciais, negando qualquer conversa telefônica sobre o tema.

Senadores demonstraram preocupação com a demora do Banco Central em cerrar as atividades do Banco Master, com o presidente da CPI, Fabiano Contarato, questionando os motivos para a liquidação não ter sido realizada antes de 2025. Galípolo argumentou que uma ação precipitada poderia reforçar a narrativa de que o banco estava sendo alvo de perseguição.

O depoimento também abordou as ações desempenhadas pelo Banco Central em relação ao Master. Diversas iniciativas, como auditorias, análises detalhadas e tentativas de resolução por meio de medidas corretivas antes da liquidação foram mencionadas. De acordo com Galípolo, o Banco Central procurou agir de maneira cautelosa, assegurando a retidão dos processos investigativos.

Além disso, o presidente do BC fez menção a práticas atípicas do Banco Master, que foram pontos de contenda em suas operações financeiras. Sua apresentação trouxe à luz a complexidade do caso e a responsabilidade do Banco Central em agir com rigor técnico e legal. A CPI deverá finalizar seus trabalhos em breve, com prazos cada vez mais apertados para concluir a investigação e apresentar as devidas conclusões.

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