Durante a audiência, que ocorreu no contexto de investigações sobre a instituição financeira, o presidente do BC revelou que se encontrou no Palácio do Planalto em dezembro de 2024 com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e alguns ministros. Galípolo destacou que sua função foi meramente técnica, remetendo o caso a um diretor do Banco Central para a análise apropriada. “Recebi a orientação do presidente Lula para agir tecnicamente, sem proteger ou perseguir ninguém”, declarou.
A discussão se intensificou quando o senador Alessandro Vieira levantou questões sobre supostos diálogos entre Galípolo e ministros do STF, especialmente em relação a contratos milionários envolvendo o escritório de advocacia do ministro Alexandre de Moraes. O presidente do BC enfatizou que embora tenha se encontrado com ministros do Supremo em várias ocasiões, os assuntos discutidos estavam distantes do caso Banco Master e que as reuniões foram sempre presenciais, negando qualquer conversa telefônica sobre o tema.
Senadores demonstraram preocupação com a demora do Banco Central em cerrar as atividades do Banco Master, com o presidente da CPI, Fabiano Contarato, questionando os motivos para a liquidação não ter sido realizada antes de 2025. Galípolo argumentou que uma ação precipitada poderia reforçar a narrativa de que o banco estava sendo alvo de perseguição.
O depoimento também abordou as ações desempenhadas pelo Banco Central em relação ao Master. Diversas iniciativas, como auditorias, análises detalhadas e tentativas de resolução por meio de medidas corretivas antes da liquidação foram mencionadas. De acordo com Galípolo, o Banco Central procurou agir de maneira cautelosa, assegurando a retidão dos processos investigativos.
Além disso, o presidente do BC fez menção a práticas atípicas do Banco Master, que foram pontos de contenda em suas operações financeiras. Sua apresentação trouxe à luz a complexidade do caso e a responsabilidade do Banco Central em agir com rigor técnico e legal. A CPI deverá finalizar seus trabalhos em breve, com prazos cada vez mais apertados para concluir a investigação e apresentar as devidas conclusões.
