SENADO FEDERAL – Médicos e dentistas avançam rumo a piso salarial de R$ 13.662 após aprovação de projeto na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

A proposta de um novo piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas, fixado em R$ 13.662 para uma jornada de 20 horas semanais, avançou no Senado. Na última terça-feira, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) deu um passo importante ao aprovar o Projeto de Lei 1.365/2022, que busca alterar as normas atualmente em vigor. Após a aprovação, o projeto seguirá para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

De autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), o projeto foi apresentado na forma de um substitutivo pelo relator, senador Nelsinho Trad (PSD-MS). O relator destacou que o salário atual, que é de R$ 3.636, encontra-se desatualizado e defasado. Esse valor, que corresponde a três vezes o salário mínimo de 2022, é regulamentado pela Lei 3.999, de 1961, e por determinação do Supremo Tribunal Federal.

Trad enfatizou a importância da atualização do piso, afirmando que a medida corrige uma injustiça histórica que perdura há várias décadas. Segundo ele, essa mudança poderá proporcionar melhores condições de trabalho e, consequentemente, um serviço de saúde mais qualificado para a população. Ele também observou que muitos profissionais da saúde optam por não se aposentar devido ao fato de que os valores de aposentadoria são inferiores ao salário mínimo.

Entre as novidades do projeto, destaca-se a proposta de um adicional de 50% para trabalho noturno ou extraordinário, atualmente fixado em 20%. Além disso, a regulamentação estabelece que os profissionais terão direito a um intervalo de descanso de dez minutos a cada 90 minutos de trabalho. O texto ainda determina que somente médicos e cirurgiões-dentistas poderão assumir funções de chefia em serviços médicos e odontológicos.

Uma questão importante abordada no projeto é o financiamento do aumento salarial. O novo piso salarial deverá ser reajustado anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que monitora a inflação. Para os médicos concursados em estados ou municípios, a correção pode ser definida por normas locais. Importante ressaltar que a responsabilidade financeira por esse aumento não recairá sobre estados e municípios, mas sim sobre o Fundo Nacional de Saúde (FNS).

No que diz respeito ao impacto financeiro, a implementação do novo piso pode gerar um custo estimado em R$ 8,1 bilhões para os médicos da rede pública federal até 2026, sem incluir os adicionais noturnos e horas extras, segundo previsões do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

O projeto de ajuste salarial recebeu um apoio significativo durante a discussão na CAE, com senadores de diferentes partidos manifestando suas opiniões favoráveis. A questão da escassez de médicos na rede pública, em grande parte devido a salários inferiores aos do setor privado, foi um ponto destacado, gerando discussões sobre as possíveis soluções para atrair mais profissionais, especialmente para áreas mais remotas do país.

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