Originado na década de 1970, a guitarrada é resultado de uma fusão rica e vibrante entre ritmos tradicionais da região, como o carimbó e o siriá, e influências caribenhas, entre elas o merengue, a cúmbia e o zouk. Este estilo inovador encontrou seu marco inicial com o álbum “Lambadas das Quebradas”, lançado em 1978 pelo cantor e compositor Joaquim de Lima Vieira, conhecido como Mestre Vieira. Seu trabalho pioneiro não apenas consolidou a guitarrada como uma forma musical, mas também serviu de inspiração para a criação de outros gêneros que ganharam destaque no cenário musical brasileiro, como a lambada e o brega pop.
O projeto de lei que culminou na nova legislação é de autoria do deputado Airton Faleiro (PT-PA) e foi aprovado em julho pela Comissão de Educação do Senado, com o apoio do senador Paulo Paim (PT-RS), que enalteceu a importância da guitarrada para a cultura nacional. Durante a votação, Paim argumentou que o reconhecimento do gênero é crucial, especialmente em um momento em que o Brasil se prepara para sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), prevista para ocorrer em Belém entre 10 e 21 de novembro. Ele enfatizou que a presença do evento na região ressalta ainda mais a relevância cultural da guitarrada e sua capacidade de promover a identidade paraense no cenário global.
Esse reconhecimento oficial surge como uma forma de valorizar e preservar essa expressão musical, que é um patrimônio cultural riquíssimo e merece ser celebrado em todo o Brasil. A iniciativa reflete uma crescente conscientização sobre a importância das culturas regionais e seu papel na construção da identidade nacional. Assim, a guitarrada se torna não apenas uma manifestação artística, mas também uma importante ferramenta de afirmação cultural e resistência.