Segundo Delgatti, a proposta do presidente ocorreu em um telefonema intermediado pela deputada federal Carla Zambelli, em 2022, antes do primeiro turno das eleições. O objetivo do grampo seria minar a confiança da população no processo eleitoral e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por Moraes.
Durante seu depoimento, o hacker relatou que conversou com o presidente Bolsonaro, que afirmou ter obtido um grampo comprometedor de Moraes, realizado por agentes de outro país. Bolsonaro então pediu a Delgatti que assumisse a autoria desse grampo. O hacker afirmou que concordou com a proposta por medo e entrou em contato com um jornalista da Veja para contar sobre a oferta.
A relatora da CPMI, senadora Eliziane Gama, classificou o depoimento como “bombástico” e ressaltou a gravidade das informações trazidas pelo hacker. Ela destacou que as revelações estão diretamente relacionadas ao questionamento do resultado eleitoral e à busca por pessoas que possam legitimar uma narrativa que não condiz com a realidade.
Delgatti também afirmou ter tomado café da manhã com Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em um encontro que contou com a presença de Carla Zambelli, do tenente-coronel Mauro Cid e do general Marcelo Câmara. O hacker relatou que, durante essa reunião, Bolsonaro reforçou o pedido para que assumisse a autoria do grampo e também sugeriu que ajudasse técnicos do Ministério da Defesa a apontar fragilidades nas urnas eletrônicas.
O depoente revelou ter ido várias vezes ao Ministério da Defesa, onde teve acesso a informações sobre as urnas eletrônicas e orientou a elaboração de um relatório entregue ao TSE antes do primeiro turno das eleições. Delgatti afirmou que todo o conteúdo do relatório foi orientado por ele, mas que não teve acesso direto ao código fonte das urnas.
Delgatti também abordou sua relação com a deputada Carla Zambelli, afirmando que a conheceu em julho de 2022 e que ela lhe ofereceu uma oportunidade de emprego na campanha à reeleição de Bolsonaro. Ele admitiu ter invadido o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), inserindo um mandado de prisão falso contra Moraes.
O presidente da CPMI, deputado Arthur Maia, lamentou a situação de Delgatti, destacando sua inteligência e talento natural, mas ressaltando que foi utilizado para cometer crimes. O depoimento de Delgatti ainda prossegue na comissão, enquanto ele permanece preso desde agosto, sendo investigado por invasão e inserção de documentos falsos no sistema do CNJ.
