SENADO FEDERAL – Ex-governador Pedro Taques denuncia Banco Master por esquema de fraudes em crédito consignado e lavagem de dinheiro, alertando sobre impactos em servidores públicos.

Bancos e Fraudes: Ex-Governador de Mato Grosso Alerta para Irregularidades em Empréstimos Consignados

O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, fez graves acusações contra o Banco Master durante o seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, realizada na última quarta-feira. Taques alegou que a instituição financeira estaria no centro de um esquema de fraudes em crédito consignado, utilizado por servidores públicos do estado, além de transferências irregulares de valores referentes à devolução de impostos para políticos locais.

De acordo com Taques, o Banco Master teria orquestrado uma complexa rede de instituições financeiras que enganavam o funcionalismo público para a assinatura de contratos. Ele alegou que esses bancos, muitas vezes atuando sem autorização do Banco Central, dificultavam o acesso às informações essenciais por parte dos clientes. “A partir de novembro de 2024, tomei a iniciativa de investigar essas práticas, sem deixar de lado minha atuação como advogado de sindicatos de servidores”, revelou.

O ex-governador citou que cerca de 45 mil servidores estaduais estariam vinculados a linhas de crédito consignado de empresas conectadas ao Banco Master. Ele chamou a atenção para a situação alarmante de aposentados que têm até 60% de sua renda comprometida com juros que variam entre 4% e 5%, além de relatarem a existência de múltiplos contratos com diferentes instituições financeiras, frequentemente com nomes enganadores como Clickbank e BK Bank.

Taques também mencionou que 14 instituições teriam transferido para o Banco Master os direitos de cobrança de empréstimos, que posteriormente foram revendidos a preços considerados exorbitantes ao Banco de Brasília (BRB). Durante a CPI, o relator Alessandro Vieira afirmou que, em um período de nove meses, uma única instituição teria cobrado quase R$ 150 milhões dos servidores, ressaltando a gravidade do esquema.

O modus operandi do Banco Master não se restringe a Mato Grosso, pois sua atuação teria alcançado 23 estados e mais de 160 prefeituras, comprometendo a renda de inúmeras pessoas e se tornando um tema de discussão entre os senadores. Taques também provocou questões sobre a possível articulação entre governos estaduais para edição de decretos que facilitariam o aumento da margem de comprometimento dos salários para esses empréstimos, levantando suspeitas sobre a legitimidade de tais medidas.

Por outro lado, Taques fez acusações ainda mais sérias envolvendo lavagem de dinheiro. Ele denunciou que o Banco Master teria transferido R$ 308 milhões, oriundos de devolução de impostos, para empresas associadas a aliados do atual governador de Mato Grosso, Mauro Mendes. Segundo Taques, essa quantia foi depositada em fundos geridos pelo Banco Master, que estariam sendo usados como uma “Disneyland” para operações de lavagem de dinheiro, sem a devida supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Por fim, a tensão política entre Taques e Mendes foi palpável durante a CPI, considerando que ambos são pré-candidatos ao Senado. Questionado sobre sua relação com Mendes, Taques rebateu as indagações sobre suas motivações, afirmando que as evidências devem ser analisadas sem viés político.

O clima entre os senadores se intensificou, com discussões acaloradas sobre a eficácia das investigações e a presunção de inocência em situações que envolvem interesses políticos e financeiros. A tensão não se restringiu somente às contas que complicam o cenário dos servidores, mas também se alastrou por desvio de verbas públicas, revelando um emaranhado de relações precarizadas entre instituições financeiras e o Estado.

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