SENADO FEDERAL – Ex-chefe do TSE, Eduardo Tagliaferro, participará de audiência sobre vazamentos e é alvo de denúncia por violação de sigilo e obstrução da justiça.

O ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, está prestes a participar de uma audiência da Comissão de Segurança Pública (CSP) por meio de videoconferência. O encontro está marcado para esta terça-feira, às 11h, e ocorre em um contexto que envolve sérias alegações e investigações sobre um vazamento de informações sensíveis do gabinete da presidência do TSE durante o mandato do ministro Alexandre de Moraes, que abrange o período de 2022 a 2024.

Tagliaferro é o principal alvo das investigações que buscam esclarecer as circunstâncias desse vazamento, o que levou à sua exoneração e, rapidamente, à sua saída do Brasil rumo à Itália, onde atualmente reside. Recentemente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ajuizou uma denúncia contra ele, acusando-o de violação de sigilo funcional e obstrução da justiça. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro já solicitou ao governo italiano sua extradição, o que acrescenta uma camada de complexidade a essa situação delicada.

O requerimento para o convite de Tagliaferro à audiência foi aprovado no dia 26 de setembro e inclui a convocação de dois juízes do gabinete de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF): Marco Antônio Martins Vargas e Airton Vieira. O senador Magno Malta (PL-ES), que formulou o pedido, busca esclarecimentos sobre alegações contidas em um relatório intitulado “Arquivos do 8 de Janeiro: por dentro da força-tarefa judicial secreta para prisões em massa”, elaborado pelo jornalista americano Michael Shellenberger e divulgado pela organização Civilization Works.

Malta argumenta que os dados apresentados no relatório indicam a existência de graves irregularidades tanto no TSE quanto no STF. Ele afirma que as evidências sugerem um abuso de poder, usurpação de funções institucionais e a formação de um sistema de “justiça paralela”, que teria sido conduzido de maneira centralizada pelo gabinete de Moraes. Essas alegações põem em cheque a credibilidade das instituições e demandam uma discussão aprofundada no cenário político atual.

A audiência também será interativa, permitindo que os cidadãos enviem perguntas e comentários durante o evento, pelo telefone da Ouvidoria do Senado ou através do Portal e-Cidadania. Os participantes receberão uma declaração de participação, que poderá ser utilizada como atividade complementar em cursos universitários. Essa iniciativa é uma oportunidade para que a população se engaje e contribua para um debate fundamental sobre a transparência e a integridade das instituições democráticas no país.

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